sexta-feira, 14 de novembro de 2014

Juventude, Campo e Cidade na Construção da Reforma Agrária

por Gerônimo Pereira da Silva*, Josene Aparecidade dos Santos**, Bruna Maria Valsoler***

Em um assentamento histórico do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra – MST, com o nome Lagoa do Junco – Hugo Chaves, município de Tapes – RS aconteceu dois dias antes da romaria da terra o nono acampamento da juventude campo e cidade. O acampamento dialogou sobre vários temas e angustias da juventude, tendo como principal, a Reforma Agrária, dada que é esta que vai garantir a sobrevivência da juventude no campo e os alimentos de qualidade e acessíveis aos trabalhadores do campo da cidade, assim como trabalho e renda.   
Com o Tema: “Reforma Agraria, Cooperação e Agroecologia” e o lema “Cultivar Vida Saudável” a trigésima sétima romaria da terra dialogou com os diferentes públicos do campo e da cidade e em especifico a juventude que aos poucos está assumindo a reforma agrária como uma bandeira de luta a cooperação e torna uma das tarefas do próximo período histórico. Cooperar para uma vida saudável em sociedade cooperativada também no sentido da organização do trabalho e renda, e com a agroecologia que é uma bandeira de luta da juventude do campo e cidade na busca de uma vida saudável com alimentos livres de agrotóxicos de qualidade e acessível aos povos da sociedade.
Reunidos em um grande acampamento da juventude campo e cidade os jovens dos movimentos sociais e pastorais movimento dos trabalhadores rurais Sem Terra, movimento dos trabalhadores desempregados, movimento dos atingidos por barragens, pastoral da juventude rural movimentos juntos, levante popular da juventude, e pastoral da juventude, dialogaram com as demandas da sociedade, o que nos une o que temos em comum em torno de um projeto de sociedade socialista com direitos e deveres igualitário e contrapondo o modelo do capital e sua expressão no campo, o  agronegócio que quer fazer uma agricultura sem camponês e alicerçada nos agrotóxicos que mata os trabalhadores, lutamos como jovens da classe trabalhadora por uma agricultura livre de agrotóxico e que produza para a população e não só para a exportação para alimentar gado na Europa.
O acampamento foi uma construção coletiva da juventude campo cidade que pensou desde as demandas de infraestrutura e até a metodologia e temas a ser debatido entre os jovens, o assentamento nos acolheu, inclusive dias antes na preparação onde dezenas de jovens vieram para fazer toda preparação da acampamento e da romaria da terra que teria vários diferencias esse ano como a abertura da colheita do arroz do assentamento, o ato Hugo Chaves e um  encontro da mulheres do MST que deu um caráter feminista a nossa atividades e um caráter de luta contra o capital já que estamos falando das mulheres Sem Terra da via campesina que são sinônimo de luta e resistência camponesa.
Nos acampamentos reforçamos o compromisso com a reforma agrária popular para os trabalhadores do campo e da cidade, na construção de uma sociedade justa e igualitária para todos com os valores da solidariedade da agroecologia e cooperação. Debatemos politicamente como caráter de classe, pois somos todos jovens da classe trabalhadora compromissados com nossa bandeiras de luta 
Dialogamos no acampamento sobre agroecologia como uma nova matriz produtiva alicerçada na cooperação e com experiências concretas, pois estávamos em um assentamento do MST onde as famílias cooperativadas distribuíram mais de quinze mil quilos de arroz orgânicos para os romeiros. Arroz orgânico fruto do trabalho cooperado das famílias assentadas jovens, mulheres, homens e crianças do MST, a colheita do arroz é símbolo concreto da produção camponesa. 
As jornadas socialistas resgataram as lutas dos trabalhadores onde vivenciamos suas histórias e conquista e desafios nos dando força para continuar na luta pela transformação da sociedade. As noites culturais reafirmaram que a juventude reproduz e produz a cultura dos trabalhadores da classe e animados dançamos, nos divertimos e expressamos a nossa energia de jovens.
O acampamento nos deu novas esperanças, novas forças concretas de uma articulação mais consistente e da força que juntos temos para organizar e potencializar a nossa organização, bem como lutar juntamente por um novo modelo de sociedade, já estamos construindo um horizonte claro e com as fermentas nas mãos e energias prontas a serem canalizadas para o nosso projeto de sociedade uma sociedade socialista. 

*Setor de Formação do MST-RS
**Setor de Educação MST-RS
***Setor de Juventude MST-RS

A Igreja ouve os clamores dos povos da terra, das águas e da floresta

por Antônio Canuto*
No dia 7 de maio, a 52ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) aprovou o documento “A Igreja e a Questão Agrária no Início do Século XXI”. Documento que é uma leitura atualizada da igreja sobre a realidade agrária brasileira, pouco mais de 30 anos depois em que 18ª Assembleia Geral, em 1980,se pronunciou sobre a  “Igreja e Problemas da Terra”. Este documento, aprovado por uma ampla maioria, beirando a unanimidade (só 12 votos contrários), foi fruto de um longo processo de amadurecimento nos últimos cinco anos.

Em 2009 foi formado um grupo com a tarefa de produzir um instrumento de trabalho sobre a Igreja,diante da realidade do campo no Brasil neste começo de século. O grupo elaborou um documento de estudos que foi aprovado e publicado em 2010. Com base neste trabalho foi elaborada uma proposta de documento a ser assumida pela Assembleia Geral,como a palavra oficial da Igreja sobre a realidade agrária brasileira nos dias de hoje. Uma primeira versão foi levada à apreciação da 51ª Assembleia, em 2013, que analisou o conteúdo e a forma do mesmo levantando críticas e sugestões que foram acolhidas e incorporadas à versão,agora aprovada.

No dia em que o documento era apresentado à Assembleia, 2 de maio, falecia Dom Tomás Balduino,um dos baluartes na defesa dos direitos dos povos indígenas e das comunidades camponesas. O documento fez um reconhecimento público de sua atuação:“Nossos compromissos são de vida e vida em abundância para os mais pobres: os pobres da terra, das águas e da floresta, que entre tantos outros contaram com o corajoso testemunho de Dom Tomás Balduino falecido no dia em que este documento foi apresentado à 52ª Assembleia” (parágrafo 208).

Os clamores dos povos da terra, das águas e da floresta
O documento partede ouvir os clamores dos povos indígenas, das comunidades quilombolas, dos sem-terra e assentados, dos ribeirinhos e pescadores, dos pequenos produtores familiares, dos assalariados e trabalhadores em situação análoga à escravidão, submetidos a muitas formas de desrespeito, agressão e violência em relação à posse e ao uso da terra e às relações de trabalho daí derivadas.  Ouve também o clamor das cidades onde a população expulsa do campo, ocupa as periferias, zonas baixas ou encostas de morros, frequentemente afetadas por catástrofes ambientais.Ouve, por fim, o clamor da própria Terra (planeta), que sofre a continua depredação da sua rica biodiversidade, o envenenamento dos seus solos e corpos d’água sob a lógicado desenvolvimento econômico.

“Como pastores, abrimos os ouvidos e o coração para ouvir e acolher os clamores daqueles que sofrem as duras consequências de situações injustas e opressoras”,diz o documento (parágrafo 20).

 Por que a Igreja se importa com os clamores do povo?
A segunda parte do texto apresenta o que motiva os bispos a ouvir os clamores do povo. Sua motivação se assenta na Palavra de Deus e nos ensinamentos da tradição cristã. Pois a Bíblia mostra que Deus é comprometido com os pobres e oprimidos,quevê o sofrimento do povo, ouve seus gritos, conhece suas angústias e por isso desce para libertá-lo(Ex 3); que Deus ao criar o mundo deu ao homem a tarefa de “cultivar e guardar” o jardim em que foi colocado (Cf. Gn 2,15) e que fala em herança para indicar o direito inalienável que todos têm de viver e de gozar dos frutos da terra e de seu trabalho. Da tradição cristã,o documento extrai,sobretudo,a exigência da destinação universal dos bens e do cumprimento da função social da propriedade. 

Ouvir o clamor dos pobres: um imperativo ético
Os clamores do povo e a Palavra de Deus e da Igreja suscitam compromissos pastorais: compromissos em relação à própria igreja, aos povos da terra, das águas, da floresta, e cobranças aos poderes constituídos: “temos a obrigação pastoral de fazer tudo o que estiver ao nosso alcance para acolher o clamor que sobe das comunidades dos campos, das florestas e das águas” (parágrafo 138). São compromissos que partem de um posicionamento claro diante do latifúndio, do trabalho escravo, da natureza, da água, da produção de energia.

O documento reafirma a distinção entre terra de trabalho e terra de negócio, presente no documento de 1980. “Reafirmamos ser a terra considerada dom e dádiva para a humanidade inteira ‘terra de trabalho’, lugar de viver, e não mercadoria, ‘terra de negócio’” (parágrafo 208).

E é contundente na sua conclusão: “Ouvir e atender os clamores dos pobres é imperativo ético para todos os responsáveis pelo bem público e para todas as pessoas de boa vontade” (parágrafo 210), “a opressão dos pobres é pecado que brada ao céu”. Por issoassumem como compromisso: “denunciar toda violência que nega às famílias e às comunidades pobres o direito e o acesso aos bens necessários para uma vida digna” (parágrafo 207).

Aponta, também, quem são os responsáveis pela violência: “No cumprimento de nossa missão, denunciamos a idolatria da propriedade, da riqueza e do poder, que é a causa da violência que acompanha a luta pela terra”.E denuncia como pecado a sacralização da propriedade da terra: São “criminosos – pecadores, todos os que querem sacralizar a propriedade da terra neste País de extensão continental! Sacramentar a usurpação, dignificar a grilagem é crime, é pecado” (palavras essas emprestadas do documento assinado por 11 entidades ecumênicas após a aprovação do relatório de Abelardo Lupion, ao final da CPMI da Terra, em 2005). (parágrafo 206)
Um documento que merece toda a atenção.

*Setor de Comunicação da Secretaria Nacional da CPT.

Fonte:  Jornal Pastoral da Terra, pagina 06, edição 216 Ano 39.

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Juventude Ousando um Novo Amanhecer

Por Frei Wilson Zanatta*
O processo de organização da juventude nos 56 assentamentos da Reforma Agraria, na região sul do estado, entre os municípios de Aceguá, Candiota e Hulha Negra, ligados também a Rede de Comunidades Santo Isidoro Camponês, Diocese de Bagé, ressurgiu a partir de 2009. Na ocasião, aconteceu encontrão dos jovens com o objetivo de animação e organização em grupos. Os jovens, por sua própria característica, corresponderam ao chamado para a organicidade em grupos (células) para serem dentro dos assentamentos e comunidades sujeitos da história, contribuído através da participação, nos trabalhos e decisões nas organizações.
O desafio à juventude foi constante para criar organicidade para corresponder a este chamado, necessário, para despertar o compromisso com o outro, e com o coletivo. Entre altos e baixos, o que é próprio da juventude, os grupos continuam sendo referência e contribuindo no processo da região.
Os jovens, por sua própria natureza, são sonhadores, buscam encontrar caminhos para a realização da vida. Buscam as melhores propostas possíveis para que seu futuro seja promissor, quem sabe mais tranquilo. O que a realidade,região sul do Estado, durante sua história, impossibilitou um desenvolvimento adequado para o povo da Fronteira. Obrigando com isso, um fraco crescimento populacional, pois os jovens, não tinham como garantir futuro, ocasionando com isso o êxodo para as grandes cidades. Deixando para traz pequenas cidades abandonadas por grandes extensões de terra na mão de pouca gente.
A reforma agrária na região sul trouxe esperanças para um desenvolvimento, o que a realidade confirma, pois, os pequenos municípios subsistem devido a existência da agricultura familiar que viabiliza o crescimento econômico.
Mesmo que se constata esse crescimento testemunhado pelos nativos e de dados de estatísticas, constata-se que muitos jovens ainda são obrigados, inclusive nos assentamentos, ir em busca de alternativas em outras regiões do estado e do País. Visto que, a reforma agrária que foi realizada não cabem todos os membros das famílias. E esta situação ocasiona dois caminhos: a ampliação da reforma agrária, que não está acontecendo, ou a busca de emprego como alternativa.
A realidade dos jovens dos assentamentos, embora com muitas melhorias, vão em busca de estudo, o que está sendo oferecido e facilitado. Mas não ocorre com a grande maioria que são obrigados a empregar-se em algumas empresas, escassas na região sul, devido as consequências da própria história do Latifúndio.
A existência dessa realidade não impediu a nossa juventude de sonhar e lutar por dias melhores para todos. 
A organização da juventude, através dos grupos, permitiu os jovens, despertar e assumir serviços e compromissos nas comunidades e no movimento, tornando-se referências, portanto, lideranças para continuar a caminhada em nossa região e outros lugares. 
A organicidade dos grupos de jovens permitiu reunião mensal com a coordenação dos grupos. Encontrões de jovens para integração e despertar novos grupos. Realização de retiros entre grupos. Programa semanal, “Sintonia Jovem”, na Radio Terra Livre. Elaboração de material para reflexão com os grupos. Participação de encontrões estaduais, cursos com o Movimento Sem Terra. Integração e envolvimento organizativo em manifestações em busca de dignidade. 

*Wilson Zanatta é frei capuchinho da Província do Rio Grande do Sul e faz parte da Comunidade Intercongregacional Padre Josimo, instalada no Assentamento Conquista da Fonteira em Hulha Negra/RS (www.padrejosimo.com.br). Frei Zanatta atua na Pastoral da Rede de Comunidades Santo Isidoro Camponês em Hulha Negra, Candiota e Aceguá.

Reforma Agrária, Cooperação e Agroecologia

Frutos do Cultivo de Vida Saudável

Ao participar inteiramente do processo de construção, realização, celebração e avaliação da 37ª Romaria da Terra, podemos afirmar que muitos foram os frutos alcançados com esta edição deste evento, que acontece todos os anos na Terça Feira de Carnaval. Vejamos estes frutos:

1. Processo participativo de preparação 
Já é uma marca constante de todas as Romarias da Terra um processo plenamente participativo na construção de todo o conjunto da Romaria. As lideranças sociais, religiosas, políticas, sindicais, juvenis tiveram amplo espaço de participação na preparação, construção, execução e avaliação desta Romaria da Terra. 

2. Debate nas Comunidades de Base
O jornal Voz da Terra, abordando a temática da Romaria, foi divulgado e utilizado nas mais diversas Comunidades de Base de todo o Rio Grande do Sul. Os líderes sociais e religiosos espalharam o subsídio preparatório e organizaram diversos encontros de leitura, estudo e debate do tema da Romaria deste ano. 

3. Articulação da juventude
O acampamento da juventude, o qual vem sendo uma realidade das últimas Romarias da Terra, foi um grande momento articulador das juventudes. Tanto os momentos sociais, urbanos e rurais, como as pastorais da juventude, encontraram no acampamento um momento propício para debater os temas candentes que envolvem o campo e a cidade. A ação dos jovens é alentador e estimulante. 

4. Visualização dos frutos da Reforma Agrária
O fato de a Romaria da Terra deste ano ter acontecido num assentamento do Reforma Agrária, ao recebermos um quilo de arroz ecológico, distribuído pelos MST a todos os romeiros, fica provado que realmente a Reforma Agrária é urgente, necessária e viável. A Romaria mostrou a todos que o assentamento é organizado, produz de forma organizada, cooperativa e ecológica. Além de elevar a qualidade de vida dos assentados, dinamiza o comércio local, mostrando que as políticas públicas para o campo, se bem conduzidas, são viáveis e rentáveis. 

5. Interação Pastorais Sociais – Movimentos Sociais – Igreja Local – Poder público
A 37ª Romaria da Terra, pela forma como foi construída e conduzida, mostrou que aconteceu efetivamente uma interação de todas as Pastorais Sociais, puxados pela CPT-RS, numa relação harmoniosa e respeitosa com os movimentos sociais, a Igreja Local (Paróquia de Tapes e Vicariato de Guaíba), bem como com o poder público municipal. Aprendemos mutuamente a ser mais críticos das políticas sociais e públicas. Mostramos que a mística e a religiosidade do camponês, se bem celebração e vivida, são altamente libertadoras. 

6. Necessidade e viabilidade da Agricultura Ecológica
Num mundo e numa conjuntura agrícola marca pelo agronegócio, pelos transgênicos e pelos agrotóxicos, todos danosos à saúde humana, a Romaria mostrou a necessidade e a viabilidade de uma agricultura livre, voltada à produção de alimentos saudáveis, especialmente por meio da abertura da colheita do arroz ecológico. Produzir de forma orgânica, respeitando a natureza e os ecosistemas, eis o que fez a atual Romaria da Terra. Não é por nada que ela está em sua 37ª edição. É exatamente porque está voltada aos temas, necessidades, urgências e demandas reais que o Povo de Deus espera e precisa. 

7. Homenagem a lideranças latino-americanas
Ao homenagear líderes populares e latino-americanos, o MST nos mostrou que é possível fugir ao mero destaque e louvor dos dominantes, mas colocar na perspectiva e na ótica de pessoas e líderes políticos libertários e insurgentes. A homenagem prestada a Hugo Chaves, pelo MST, dando o nome ao Assentamento de Tapes de “Hugo Chaves”, mostra a liberdade e a autonomia de um movimento social que tem um longa e exitosa história em nosso País. Além desta homenagem foram lembrados muitos outros lideres sociais, religiosos e políticas que se destacaram no campo da Reforma Agrária, da cooperação e da agroecologia. 

8. A força da construção coletiva da cooperação
A agroindústria construída com a força da luta social e da organização dos assentados é uma prova concreta que todos nós presenciamos ao vermos aquele “monumento” tão bem visualizado e encenados pelos líderes e jovens do MST. Os romeiros da 37ª Romaria da Terra puderam ver e sentir a força da construção coletiva de uma luta e de pessoas conscientes de seu protagonismo na história do RS e do Brasil. A cooperação agrícola foi sentida e vivida, celebrada e encarnada pelos romeiros da terra deste ano. 

9. Urgência da Reforma Agrária para superar a fome a miséria
A bandeira da Reforma Agrária esteve no centro dos debates, da preparação, das denúncias, da celebração, da procissão e das proposições da 37ª Romaria da Terra. Se quisermos realmente superar a fome e a miséria, seja no campo como na cidade, a Reforma Agrária é um dos caminhos indispensáveis. Este é o clamor e o grito que brota do chão, da fé e do compromisso romeiro, realmente comprometido.

10. Unidade entre fé e compromisso político
Por fim, queria apontar que a 37ª Romaria da Terra soube criar uma unidade entre a fé bíblica, encarnada, comprometida e cristã, com o compromisso político que deseja contribuir na construção do bem comum, de uma sociedade realmente justa e solidária. Sem esta unidade estaremos comprometendo nossa fé em Jesus Cristo, pois uma fé alienada e manipulada não constrói o Reino de Deus e nem contribui na construção de uma sociedade alternativa. 
Os frutos da 37ª Romaria da Terra são um contributo importante na atual conjuntura política e eclesial. A CPT-RS espera que estes frutos continuem sendo difundidos e assumidos por todos os cristãos realmente comprometidos com a transformação da sociedade e na dinamização da ação pastoral da Igreja no RS.

Frei Wilson Dalagnol, frade capuchinho e membro da Equipe de Coordenação da CPT- RS
Comissão Pastoral da Terra do Rio Grande do Sul - CPT-RS

Link com informações sobre a 37ª Romaria da Terra: http://cptdors.blogspot.com.br/p/romaria-da-terra.html
Página da 38ª Romaria da Terra: http://cptdors.blogspot.com.br/p/38.html

Boletim da Coetrae-RS

Disponibilizamos a Edição nº 2 do Boletim da Coetrae-RS (Comissão Estadual para a Erradicação do Trabalho Escravo). O informativo foi elaborado pela Assessoria de Comunicação Social Procuradoria-Geral do Estado do Rio Grande do Sul (PGE-RS) e está disponível neste link: http://migre.me/mKYrJ

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Audiência Pública em Vale Verde debateu o tema da aplicação de agrotóxicos por meio de avião agrícola

Por Maurício Queiroz*
A população do pequeno município de Vale Verde RS, localizado no Vale do Rio Pardo, está preocupada com o anúncio da instalação de uma empresa de aviação agrícola para pulverização aérea de agrotóxicos, trata-se da empresa Agrigel. Este foi o tema da audiência pública que envolveu mais de 90 participantes do município e da região.
Professor Jânio Weber coordenou a atividade e após uma introdução, convidou profissionais e lideranças para fazerem esclarecimentos e depoimentos sobre o tema. O Engº Agrº José Kroef Schmitz que é professor da Universidade Estadual o Rio Grande do Sul - UERGS e que também representou a Articulação em Agroecologia do Vale do Rio Pardo - AAVRP, iniciou dizendo “é  uma ocasião oportuna para discutirmos que tipo de desenvolvimento queremos para a nossa região”, explicou como são nocivos os agrotóxicos para a saúde, para o meio ambiente e também a classificação toxicológica. José disse que um agricultor ecologista de Santa Cruz do Sul já havia sido vítima de contaminação de seus cultivos por aviação agrícola e que isso é inadmissível, também citou o caso do município de Lucas do Rio Verde no Mato Grosso onde uma escola foi alvo de pulverização por avião agrícola levando inclusive algumas crianças a morte. Prof. José ainda disse “temos o direito à ter saúde e ao meio ambiente saudável”,terminou dizendo que a pulverização aérea de agrotóxicos é a pior prática, por que o veneno se espalha muito longe, a maior parte do veneno cai em outros locais e não no local planejado. Adriana Skamvestsakis, Médica do Trabalho, representando o CEREST/Vales (Centro de Referência em Saúde do Trabalhador) explicou os tipos de intoxicações causadas pela exposição dos trabalhadores e trabalhadoras aos agrotóxicos “não existe níveis seguros, qualquer tipo de exposição causa dano mais cedo ou mais tarde, com a manifestação de algum tipo de câncer por exemplo” “a aviação agrícola, no caso aplicar agrotóxicos de avião não é nada segura, já se sabe que contamina muito e não há como controlar”concluiu Adriana.
A vereadora, professora Cecília Niemeyer, disse que a audiência é fundamental para ouvir a sociedade num tema tão importante e preocupante como o da instalação desta empresa de aviação agrícola em Vale Verde e que a administração deveria antes de aprovar e apoiar tal projeto deveria ouvir a população local. A vereadora disse “a câmara de vereadores aprovou o projeto sem ouvir o povo, fui a única a ser contra por entender que instalar tal empresa na área urbana é muito prejudicial ao povo e que já existe várias reclamações de agricultores que tiveram seus cultivos contaminados por avião agrícola que passou sobre suas propriedades”.
Na seqüência o presidente do Conselho Agropecuário do município também se manifestou contrário a instalação da empresa, disse que agricultores foram prejudicados por tal prática, em seguida a coordenadora Diocesana da Pastoral da Terra, Oldi Helena Jantsch, que também falou em nome da Articulação da Agroecologia do Vale do Taquari - AAVT, disse que “nós trabalhamos com agricultores e agricultoras nos vales dos rios, Pardo e Taquari, agricultores estes que também são vitimas de intoxicações por agrotóxicos e que estão morrendo além da população em geral que sofre com isso” e finalizou dizendo “Deus não quer isso para nós, Deus quer que tenhamos vida e vida plena e que nós devemos ser contra a aplicação de agrotóxicos por avião, lutamos para que esta prática altamente prejudicial a vida seja proibida em todo o Brasil”concluiu dizendo “existe um outro caminho possível e viável, produzir alimentos saudáveis e ecológicos”.
Após os esclarecimentos e depoimentos houve espaço para manifestação dos participantes entre as manifestações mais marcantes foi a de uma professora que disse “é a nossa vida que está em jogo, não participamos dos lucros destas empresas, mas arcamos com os enormes prejuízos”
O jovem agricultor Junior Roberto Frei, 19 anos, disse que teve sua propriedade contaminada por um avião agrícola, perdeu uma lavoura de fumo além de ter também a horta familiar contaminada, horta que fica a 10 metros da residência, outro agricultor, o senhor Milton Daniel Souza, de Pagador Martel, interior de General Câmara - RS, também teve sua propriedade atingida com o veneno. Para Júnior disseram que era Roundup, mas ele não tem certeza disso, a certeza que tem é que é um veneno forte, pois matou a plantação.
Este é um relato pequeno de tanto debate que houve nesta manhã curta e com tantos outros depoimentos para serem dados, mas o tempo não permitiu. O Prefeito municipal esteve lá e tentou justificar dizendo que não entende de agricultura, mas que se os agrotóxicos forem bem aplicados, com os devidos cuidados ele acha que não é problema. Houve reações a sua fala. Me lembro que um dos professores disse assim “não estamos aqui para proibir o uso de veneno, o que estamos debatendo é a instalação desta empresa na cidade e os riscos de contaminação “, em resposta a alguém que estava tentando distorcer a conversa.
O que é importante destacar é que houve uma reação forte da sociedade local, professores e jovens estavam lá. Lamentável foi a ausência do Ministério Público e da FEPAM, que segundo Jânio, foram convidados e não vieram. 
O fato foi criado, despertou um grande debate local e regional, pois fato semelhante já havia acontecido em Santa Cruz do Sul meses antes com a mesma empresa que por pressão local não se instalou. A partir deste fato e de tantos outros, Brasil afora, reascendeu o debate sobre os enormes riscos do uso de agrotóxicos, especialmente da prática de aplicar veneno de avião, que é realmente uma afronta a vida. Fiquei pensando não seria o momento oportuno para voltar a trazer o tema da proibição da aplicação de agrotóxicos de avião? Que tal a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, campanha desempenhada por dezenas de entidades em todo o Brasil, mexer novamente com o tema? E pensei mais, que tal realizarmos audiências públicas nos municípios do RS e de todo o Brasil sobre a temática dos Agrotóxicos e dos Transgênicos, mexendo com a população para ganharmos cada vez mais força?
Ao encerrar a audiência ficou encaminhado realizar no município um seminário sobre agroecologia e outro sobre a saúde do trabalhador.

*Maurício Queiroz é Técnico Agrícola e membro da Coordenação da Comissão Pastoral da Terra - CPT-RS

quarta-feira, 8 de outubro de 2014

David Canabarro vai receber 38ª Romaria da Terra e 10º Acampamento da Juventude

A 38ª Romaria da Terra e o 10º Acampamento da Juventude vão ocorrer no município de David Canabarro/RS. Como já se tornou tradição, a Romaria da Terra é precedida pelo Acampamento da Juventude, que em 2015 chaga a 10ª edição.
A 38ª Romaria da Terra, promovida pela CPT-RS, CNBB Sul III e Arquidiocese de Passo Fundo, tem como Tema: Sucessão Rural Familiar, Políticas Públicas e Sustentabilidade, e o seu lema é: “Eu darei esta terra a sua descendência” (Genesis 12:7)
Acompanhe AQUI no blog da CPT-RS as notícias e textos na página da 38ª Romaria da Terra