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terça-feira, 4 de outubro de 2016

Combate aos Impactos dos Agrotóxico

No último dia 21 de setembro em Encantado - RS aconteceu Audiência Pública do Fórum Gaúcho de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos para debater e propor encaminhamentos a respeito do uso abusivo de agrotóxicos e seus efeitos no meio ambiente e saúde dos consumidores de 34 municípios do Vale do Taquari. 

A Comissão Pastoral da Terra - CPT /RS junto com a Articulação De Agroecologia Do Vale Do Taquari -Aavt auxiliaram na organização do encontro se manifestaram em defesa das sementes crioulas e da agroecologia como forma de combater o uso abusivo de agrotóxicos e demostraram preocupação com a contaminação e extermínio das sementes crioulas pelas sementes transgênicas e o pelo uso indiscriminado dos agrotóxicos . "Quem vai garantir o direito dos agricultores de cultivar sementes sadias?"

Além da presença dos agricultores e das agricultoras, e de consumidores, o encontro contou com representantes de órgãos públicos, associações civis, estabelecimentos de saúde, conselhos, universidades e movimentos sociais.

Audiência foi uma reivindicação dos agricultores e agricultoras da região do Vale do Taquari, que vem sofrendo com a morte de abelhas e perdendo a produção em virtude do uso abusivo de agrotóxicos por alguns grandes produtores da região.

Texto enviado por CPT-RS
Fotos: Articulação De Agroecologia Do Vale Do Taquari - Aavt

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Audiência Pública em Vale Verde debateu o tema da aplicação de agrotóxicos por meio de avião agrícola

Por Maurício Queiroz*
A população do pequeno município de Vale Verde RS, localizado no Vale do Rio Pardo, está preocupada com o anúncio da instalação de uma empresa de aviação agrícola para pulverização aérea de agrotóxicos, trata-se da empresa Agrigel. Este foi o tema da audiência pública que envolveu mais de 90 participantes do município e da região.
Professor Jânio Weber coordenou a atividade e após uma introdução, convidou profissionais e lideranças para fazerem esclarecimentos e depoimentos sobre o tema. O Engº Agrº José Kroef Schmitz que é professor da Universidade Estadual o Rio Grande do Sul - UERGS e que também representou a Articulação em Agroecologia do Vale do Rio Pardo - AAVRP, iniciou dizendo “é  uma ocasião oportuna para discutirmos que tipo de desenvolvimento queremos para a nossa região”, explicou como são nocivos os agrotóxicos para a saúde, para o meio ambiente e também a classificação toxicológica. José disse que um agricultor ecologista de Santa Cruz do Sul já havia sido vítima de contaminação de seus cultivos por aviação agrícola e que isso é inadmissível, também citou o caso do município de Lucas do Rio Verde no Mato Grosso onde uma escola foi alvo de pulverização por avião agrícola levando inclusive algumas crianças a morte. Prof. José ainda disse “temos o direito à ter saúde e ao meio ambiente saudável”,terminou dizendo que a pulverização aérea de agrotóxicos é a pior prática, por que o veneno se espalha muito longe, a maior parte do veneno cai em outros locais e não no local planejado. Adriana Skamvestsakis, Médica do Trabalho, representando o CEREST/Vales (Centro de Referência em Saúde do Trabalhador) explicou os tipos de intoxicações causadas pela exposição dos trabalhadores e trabalhadoras aos agrotóxicos “não existe níveis seguros, qualquer tipo de exposição causa dano mais cedo ou mais tarde, com a manifestação de algum tipo de câncer por exemplo” “a aviação agrícola, no caso aplicar agrotóxicos de avião não é nada segura, já se sabe que contamina muito e não há como controlar”concluiu Adriana.
A vereadora, professora Cecília Niemeyer, disse que a audiência é fundamental para ouvir a sociedade num tema tão importante e preocupante como o da instalação desta empresa de aviação agrícola em Vale Verde e que a administração deveria antes de aprovar e apoiar tal projeto deveria ouvir a população local. A vereadora disse “a câmara de vereadores aprovou o projeto sem ouvir o povo, fui a única a ser contra por entender que instalar tal empresa na área urbana é muito prejudicial ao povo e que já existe várias reclamações de agricultores que tiveram seus cultivos contaminados por avião agrícola que passou sobre suas propriedades”.
Na seqüência o presidente do Conselho Agropecuário do município também se manifestou contrário a instalação da empresa, disse que agricultores foram prejudicados por tal prática, em seguida a coordenadora Diocesana da Pastoral da Terra, Oldi Helena Jantsch, que também falou em nome da Articulação da Agroecologia do Vale do Taquari - AAVT, disse que “nós trabalhamos com agricultores e agricultoras nos vales dos rios, Pardo e Taquari, agricultores estes que também são vitimas de intoxicações por agrotóxicos e que estão morrendo além da população em geral que sofre com isso” e finalizou dizendo “Deus não quer isso para nós, Deus quer que tenhamos vida e vida plena e que nós devemos ser contra a aplicação de agrotóxicos por avião, lutamos para que esta prática altamente prejudicial a vida seja proibida em todo o Brasil”concluiu dizendo “existe um outro caminho possível e viável, produzir alimentos saudáveis e ecológicos”.
Após os esclarecimentos e depoimentos houve espaço para manifestação dos participantes entre as manifestações mais marcantes foi a de uma professora que disse “é a nossa vida que está em jogo, não participamos dos lucros destas empresas, mas arcamos com os enormes prejuízos”
O jovem agricultor Junior Roberto Frei, 19 anos, disse que teve sua propriedade contaminada por um avião agrícola, perdeu uma lavoura de fumo além de ter também a horta familiar contaminada, horta que fica a 10 metros da residência, outro agricultor, o senhor Milton Daniel Souza, de Pagador Martel, interior de General Câmara - RS, também teve sua propriedade atingida com o veneno. Para Júnior disseram que era Roundup, mas ele não tem certeza disso, a certeza que tem é que é um veneno forte, pois matou a plantação.
Este é um relato pequeno de tanto debate que houve nesta manhã curta e com tantos outros depoimentos para serem dados, mas o tempo não permitiu. O Prefeito municipal esteve lá e tentou justificar dizendo que não entende de agricultura, mas que se os agrotóxicos forem bem aplicados, com os devidos cuidados ele acha que não é problema. Houve reações a sua fala. Me lembro que um dos professores disse assim “não estamos aqui para proibir o uso de veneno, o que estamos debatendo é a instalação desta empresa na cidade e os riscos de contaminação “, em resposta a alguém que estava tentando distorcer a conversa.
O que é importante destacar é que houve uma reação forte da sociedade local, professores e jovens estavam lá. Lamentável foi a ausência do Ministério Público e da FEPAM, que segundo Jânio, foram convidados e não vieram. 
O fato foi criado, despertou um grande debate local e regional, pois fato semelhante já havia acontecido em Santa Cruz do Sul meses antes com a mesma empresa que por pressão local não se instalou. A partir deste fato e de tantos outros, Brasil afora, reascendeu o debate sobre os enormes riscos do uso de agrotóxicos, especialmente da prática de aplicar veneno de avião, que é realmente uma afronta a vida. Fiquei pensando não seria o momento oportuno para voltar a trazer o tema da proibição da aplicação de agrotóxicos de avião? Que tal a Campanha Permanente Contra os Agrotóxicos e Pela Vida, campanha desempenhada por dezenas de entidades em todo o Brasil, mexer novamente com o tema? E pensei mais, que tal realizarmos audiências públicas nos municípios do RS e de todo o Brasil sobre a temática dos Agrotóxicos e dos Transgênicos, mexendo com a população para ganharmos cada vez mais força?
Ao encerrar a audiência ficou encaminhado realizar no município um seminário sobre agroecologia e outro sobre a saúde do trabalhador.

*Maurício Queiroz é Técnico Agrícola e membro da Coordenação da Comissão Pastoral da Terra - CPT-RS

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Todos os dias o povo come veneno. Quem são os responsáveis?

por João Pedro Stedile (*)

O Brasil se transformou desde 2007, no maior consumidor mundial de venenos agrícolas. E na ultima safra as empresas produtoras venderam nada menos do que um bilhão de litros de venenos agrícolas. Isso representa uma media anual de 6 litros por pessoa ou 150 litros por hectare cultivado. Uma vergonha. Um indicador incomparável com a situação de nenhum outro país ou agricultura.
Há um oligopólio de produção por parte de algumas empresas transnacionais que controlam toda a produção e estimulam seu uso, como a Bayer, a Basf, Syngenta, Monsanto, Du Pont, Shell química, etc
O Brasil possui a terceira maior frota mundial de aviões de pulverização agrícola. Somente esse ano foram treinados 716 novos pilotos. E a pulverização aérea é a mais contaminadora e comprometedora para toda a população.
Há diversos produtos sendo usados no Brasil que já estão proibidos nos paises de suas matrizes. A ANVISA conseguiu proibir o uso de um determinado veneno agrícola. Mas as empresas ganharam uma liminar no “neutral poder judiciário” brasileiro, que autorizou a retirada durante o prazo de três anos... e quem será o responsável pelas conseqüências do uso durante esses três anos? Na minha opinião é esse Juiz irresponsável que autorizou na verdade as empresas desovarem seus estoques.
Os fazendeiros do agronegóio usam e abusam dos venenos, como única forma que tem de manter sua matriz na base do monocultivo e sem usar mão-de-obra. Um dos venenos mais usados é o secante, que é aplicado no final da safra para matar as próprias plantas e assim eles podem colher com as maquinas num mesmo período. Pois bem esse veneno secante vai para atmosfera e depois retorna com a chuva, democraticamente atingindo toda população inclusive das cidades vizinhas.
O DR.Vanderley Pignati da Universidade Federal do Mato Grosso tem várias pesquisas comprovando o aumento de aborto, e outras conseqüências na população que vive no ambiente dominado pelos venenos da soja.
Diversos pesquisadores do Instituto Nacional do Câncer e da Universidade federal do Ceara já comprovaram o aumento do câncer, na população brasileira, conseqüência do aumento do uso de agrotóxicos.
A ANVISA – responsável pela vigilância sanitária de nosso país, detectou e destruiu mais de 500 mil litros de venenos adulterados,somente esse ano, produzido por grandes empresas transnacionais. . Ou seja, alem de aumentar o uso do veneno, eles falsificavam a formula autorizada, para deixar o veneno mais potente, e assim o agricultor se iludir ainda mais.
O Dr. Nascimento Sakano, consultor de saúde, da insuspeita revista CARAS escreveu em sua coluna, de que ocorrem anualmente ao redor de 20 mil casos de câncer de estomago no Brasil, a maioria conseqüente dos alimentos contaminados, e destes 12 mil vão a óbito.
Tudo isso vem acontecendo todos os dias. E ninguém diz nada. Talvez pelo conluio que existe das grandes empresas com o monopólio dos meios de comunicação. Ao contrário, a propaganda sistemática das empresas fabricantes que tem lucros astronômicos é de que, é impossível produzir sem venenos. Uma grande mentira. A humanidade se reproduziu ao longo de 10 milhões de anos, sem usar venenos. Estamos usando veneno, apenas depois da segunda guerra mundial, para cá, como uma adequação das fabricas de bombas químicas agora, para matar os vegetais e animais. Assim, o poder da Monsanto começou fabricando o Napalm e o agente laranja, usado largamente no Vietname. E agora suas fabricas produzem o glifosato. Que mata ervas, pequenos animais, contamina as águas e vai parar no seu estomago.
Esperamos que na próxima legislatura, com parlamentares mais progressistas e com novo governo, nos estados e a nível federal, consigamos pressão social suficiente, para proibir certos venenos, proibir o uso de aviação agrícola, proibir qualquer propaganda de veneno e responsabilizar as empresas por todas as conseqüências no meio ambiente e na saúde da população.

(*)João Pedro Stedile, membro da via campesina Brasil.

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Projeto torna crime hediondo a violação de regras sobre agrotóxicos

A Câmara analisa o Projeto de Lei 1811/11, do deputado Amauri Teixeira (PT-BA), que caracteriza como crime hediondo a produção, a comercialização, o transporte e a destinação de agrotóxicos ou de seus componentes em descumprimento às exigências legais.
A lei atual (7.802/89) penaliza com dois anos de prisão em regime inicialmente fechado, além de multa, quem descumprir as normas sobre agrotóxicos. Ao tornar essas condutas crimes hediondos, o autor quer dar a elas tratamento mais severo. Os crimes hediondos são inafiançáveis e não podem ser objeto de graça, anistia ou indulto.
A proposta será analisada pelas comissões de Agricultura, Pecuária, Abastecimento e Desenvolvimento Rural; e Constituição e Justiça e de Cidadania. Depois, será votada no Plenário.