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segunda-feira, 28 de julho de 2014

14º Encontro Diocesano de Sementes Crioulas

14º Encontro Diocesano de Sementes Crioulas
Data: 27/08/2014
Local: Salão Paroquial de Linha Santa Cruz - Santa Cruz do Sul/RS
Objetivo: Reunir agricultores e agricultoras visando fortalecer a agricultura camponesa e familiar a partir do resgate das sementes crioulas e da promoção da agroecologia. Reunir os Bancos de Sementes Crioulas e demais experiências com sementes crioulas no RS.
Público Alvo: Agricultores e agricultoras, mulheres e jovens da roça.
Programação:
8h – Chegada e inscrições.
8h45min – Acolhida aos participantes.
9h – Momento de espiritualidade.
9h30min – Painel das Experiências com Sementes Crioulas no RS.
11h30min – Debates e questionamentos acerca do tema.
12h – Almoço.
13h as 14h – Momento cultural e visualização das experiências expostas por grupos de agricultores e agricultoras. Intercâmbio.
15:00 h – Compromissos concretos e encaminhamentos acerca do tema das sementes crioulas.
15h30min – Intercâmbio e Troca de Sementes Crioulas entre os grupos participantes.
16h-Avaliação e encerramento.
Maiores informações:
e-mail penaterra@ibest.com.br ou
fone 051-91466134/91242466
Organização: Comissão Pastoral da Terra Diocese de Santa Cruz
Apoio: 


Por que trabalhar com as Sementes Crioulas?

Por Maurício Queiroz*

Desde que iniciei no trabalho como técnico aqui na Diocese de Santa Cruz do Sul procuramos trabalhar aliando o trabalho técnico e também o trabalho pastoral da Pastoral da Terra. Hoje mais do que nunca estou convencido de que um trabalho somente técnico corre sério risco de não dar muitos frutos, se não tiver uma boa dose de mística e humanismo, que é aproximar as pessoas, trabalhar em grupo e isso conseguimos fazer muito bem. É um trabalho social, técnico, político, ambiental ao mesmo tempo e muito desafiador, com certeza.
O trabalho além de desafiador é amplo e abrangente, trabalhamos com agricultores familiares camponeses, quilombolas, indígenas, assentados, jovens. Mas em destaque está o trabalho com a juventude da roça e com as sementes crioulas.
O trabalho com sementes é algo especial, pois é ai que está as origens da agricultura, do pequeno agricultor e agricultora. Não dá para trabalhar agricultura orgânica ou ecológica sem abordar a temática das sementes crioulas que são a base da origem da nossa comida.
Isso significa mais autonomia, resgate cultural, religioso, místico. O tema das sementes está diretamente ligado ao tema da fome mundial, pois quando algumas multinacionais controlam as sementes nós (toda a sociedade)estamos reféns de um sistema que vai ditar o que devemos comer, determinam os preços, quem come e quem não tem acesso a comida, etc.
A nossa comida sagrada de cada dia, o “pão nosso de cada dia”, está fortemente ameaçado com a redução drástica das sementes crioulas, com a extinção das sementes crioulas está se extinguindo aquele e aquela que são os que produzem a nossa comida, o agricultor e a agricultora, o camponês com toda a sua diversidade no Brasil, na América Latina e no mundo todo.
Mas não está tudo perdido, este ano vamos realizar o 14º Encontro Diocesano de Sementes Crioulas, que graças a Deus está cada vez mais bonito e diversificado, e tem sido motivador de muitas experiências mundo a fora.
A produção de alimentos depende das Sementes Crioulas, e elas são a base da agroecologia, por isso motivamos comunidades, grupos de agriculores e agricultoras a trabalhar com sementes crioulas e agroecologia, voltando as origens.
BEM VINDOS E BEM VINDAS AO ENCONTRO DE SEMENTES
CRIOULAS!!!!
*Maurício Queiroz - técnico agrícola, agente de pastoral da CPT na Diocese de Santa Cruz do Sul, coordenação da EJR e membro da Coordenação da CPT-RS.
Clique AQUI para ver a programação do 14º Encontro Diocesano de Sementes Crioulas

terça-feira, 10 de junho de 2014

Escola de Jovens Rurais realizou etapa de formatura


A Escola de Jovens Rurais-EJR realizou sua etapa de conclusão do curso, com a formatura de 68 jovens vindos dos municípios de: Chuvisca, Amaral Ferrador, Dom Feliciano, Encruzilhada do Sul e Rio Pardo. A etapa aconteceu em Rio Pardo nos dias 30, 31/05 e 01/06/2014 e priorizou o tema “Os Passos para Organização de um Projeto”, além do planejamento e organização, bem como o compromisso de os jovens se manterem articulados e convidarem outros jovens para a nova turma que irá iniciar provavelmente no início de setembro. Ficou bem claro que a formatura não significou o fim, mas o início de uma grande luta e caminhada pela frente.
A Etapa contou com muita animação e a disposição da juventude na luta por um mundo melhor, mas justo e solidário. Os jovens assistiram ao filme “O Veneno Está na Mesa 2” que trás bem forte a realidade dos agrotóxicos no Brasil, os problemas de contaminação a que as pessoas estão expostas, sejam agricultores bem como consumidores, por que ambos são vítimas. Os jovens reforçaram o compromisso com a agroecologia.
O bispo diocesano Dom Canísio Klaus, fez uma visita aos jovens no sábado dia 31 e falou para os jovens das 11h até meio dia. Na sua fala o bispo reforçou o seu apoio a Escola de Jovens Rurais-EJR e repetiu palavras ditas pelo Papa Francisco, “Ide sem medo para servir” além de conversar com a juventude, Dom Canísio deu uma boa dica de como passar o inverno sem gripe, segundo ele 4 ingredientes são fundamentais usar todos os dias, limão, alho, cebola e mel. Abençoou os anéis de Tucum que cada jovem recebeu em sinal de compromisso com a causa da agroecologia, do meio ambiente e também social.
A formatura aconteceu no domingo com uma bonita missa presidida pelo padre Pedro Bernardo Rochenback, padre que há muitos anos é atuante na Comissão Pastoral da Terra e apoiador assíduo da Escola de Jovens Rurais-EJR. Durante a missa os jovens reforçaram o compromisso pelas causas ambientais, pela agroecologia, pelo trabalho em grupo, compromisso social e de continuar sempre na Rede da Escola de Jovens Rurais. Após a cerimônia, não poderia faltar o gostoso almoço servido aos jovens e aos familiares que vieram nesta ocasião tão especial.

“Sempre nos perguntam, muitas vezes agressivamente. Onde estão esses jovens? Dá algum resultado, onde estão os resultados? E nós sempre fizemos questão de responder que sempre vale a pena apostar na juventude! E que os resultados aos poucos vão aparecendo, basta dar chance e apoio aos jovens” – Maurício Queiroz –Téc.Agrícola e um dos coordenadores da EJR.

“68 Jovens realizando formatura na Escola de Jovens Rurais, com muita emoção e muita esperança junto com pais e avós. Fiquei muito, mas muito feliz mesmo com o maravilhoso grupo de jovens”- Oldi H.Jantsch uma das coordenadoras da EJR e coordenadora da Comissão Pastoral da Terra Diocesana.

"A utopia está lá no horizonte. Me aproximo dois passos, ela se afasta dois passos. Caminho dez passos e o horizonte corre dez passos. Por mais que eu caminhe, jamais alcançarei. Para que serve a utopia? Serve para isso: para que eu não deixe de caminhar." Eduardo Galeano

Contribuição de Maurício Queiroz - técnico agrícola, agente de pastoral da CPT na Diocese de Santa Cruz do Sul, coordenação da EJR e membro da Coordenação da CPT-RS

sexta-feira, 2 de agosto de 2013

Oldi fala ao Jornal Pé na Terra sobre o surgimento e a luta da CPT no Brasil

Numa edição especial, o jornal Pé na Terra apresenta uma entrevista mais que especial com a agricultora e agente de pastoral Oldi Helena Jantsch, carinhosamente chamada de Tiririca. Para a CPT-RS é motivo de orgulho poder reproduzir esta entrevista aqui em nosso blog. Afinal, a Tiririca tem uma trajetória fantástica de doação e serviço em favor da causa e da luta dos camponeses, pequenos agricultores e sem terra. A sua luta tem a marca da inovação com uma consistente preocupação ecológica, de modo especial através da preservação das sementes crioulas. Por onde anda, Oldi leva consigo as sementes de vida e esperança e seu trabalho vem florescendo muito, especialmente com uma nova geração de consciências defensoras da vida através da Escola de Jovens Rurais. Oldi é uma agricultora, uma mulher camponesa que expressa orgulho de cultivar a terra.
Segue a entrevista. Boa leitura...

Oldi Helena Jantsch, popularmente conhecida por Tiririca, mora no município de Cruzeiro do Sul-RS, coordena a Comissão Pastoral da Terra na Diocese e também a Escola de Jovens Rurais-EJR juntamente com uma equipe. Nesta edição especial do Pé na Terra ela conta para nós a trajetória do trabalho da CPT na região e no Brasil. Oldi é filha de pequenos agricultores e há muitos anos atua na defesa e na luta pelos direitos do povo da roça.

Pé na Terra - Oldi quando surgiu a CPT no Brasil? Por que ela foi criada?
Em 22 de junho de 1975 nasceu a Comissão Pastoral da Terra-CPT. Ligada a igreja católica sempre foi uma pastoral social comprometida com o povo mais pobre. A motivação inicial de seu surgimento foi a causa dos posseiros e indígenas que se encontravam em extrema pobreza. A causa do bóia-fria, sem-terra e o do pequeno agricultor e agricultora.
Atualmente a CPT está organizada em todo o Brasil e mantém firme a mística inicial como uma “Pastoral de Fronteira”, ou seja, chegando nas fronteiras onde ninguém chega, onde se encontra o povo mais excluído. Neste sentido podemos perceber que a CPT foi criada para defender o pequeno agricultor, camponês, jovem e mulher da roça, povos tradicionais (indígenas e quilombolas) e também preocupada com a natureza.

Pé na Terra- E a Romaria da Terra?
Podemos dizer que hoje existe Romarias da Terra em várias regiões do Brasil, mas ela surge aqui no RS no ano de 1978, foi neste ano que a CPT do RS começa a organizar as Romarias da Terra que sempre acontecem na terça-feira de carnaval, pois foi neste dia que o índio Sepé Tiarajú foi assassinado covardemente quando defendia seu povo no ano de 1756, em memória a causa e luta dos índios a Romaria da Terra sempre é realizada no dia do carnaval. Sepé Tiarajú é o patrono da CPT aqui no RS.
O importante é dizer que a Romaria da Terra é a romaria do camponês, do pequeno agricultor. É na Romaria da Terra que o povo se encontra para fortalecer a sua mística, sua fé, a esperança para ir seguindo em frente firmes na luta. Mas que luta? você pode me perguntar?, Toda a luta em defesa da vida como diz o tema da Romaria da Terra de 1990 realizada em Erveiras “Povo que Luta Defende a Vida”, é isso mesmo, é defender a vida. É a luta pela Reforma Agrária, luta pela demarcação das terras indígenas, do reconhecimento dos povos Quilombolas, a luta dos jovens da roça, da mulher da roça a luta por um modelo de produção que respeite o agricultor/a e a vida como um todo, por isso agricultura ecológica.
                                                                                                
Pé na Terra – O que a CPT tem haver com os Movimentos Sociais, Via Campesina?
Primeiramente quero dizer que a Pastoral da Terra é a sementeira de nascimento dos movimentos sociais, é a mãe dos movimentos sociais, por isso a CPT está envolvida diretamente com estas organizações, suas lutas e mobilizações. “A CPT não é o movimento e a organização dos lavradores, mas uma organização de Igreja a serviço dos mesmos e de sua causa. A CPT contribui com o que lhe é específico, isto é, animando, conscientizando, assessorando e dinamizando as lutas.”(Livro As Romarias da Terra no Rio Grande do Sul-Um povo a caminho da “Terra Prometida” pg 198).
Um dos grandes refrões que a CPT no Brasil sempre reforça ao se referir da necessidade urgente da Reforma Agrária, “Repartir a Terra para Multiplicar o Pão”.
                                                                                
Pé na Terra – Este ano a CPT Diocesana está organizando o 13º Encontro Diocesano de Sementes Crioulas que irá acontecer no município de Cruzeiro do Sul dias 21 e 22/08/2013. Por que a CPT organiza estes encontros?
A CPT em todo o Brasil tem a consciência de que semente crioula é fundamental para as famílias da roça terem autonomia, alimentação saudável, soberania e segurança alimentar. A sobrevivência do camponês depende da preservação destas sementes e a sociedade como um todo precisa apoiar esta luta pois é o alimento, verdadeiro que está em jogo. É a possibilidade de ter comida saudável que está em jogo.
Quando organizamos o 1ºEncontro Diocesano de Sementes Crioulas, no ano de 2001 em Santa Cruz do Sul reunimos mais de 160 agricultores e agricultoras e de lá prá cá cada vez mais agricultores participam demonstrando o sucesso que é os Encontros Diocesanos de Sementes Crioulas.

Pé na Terra- Oldi por favor, deixe aqui a sua mensagem aos agricultores e agricultoras.
É com muita alegria que convido você agricultor, você agricultora e jovens da roça, lideranças e apoiadores desta causa, para participarem do 13º Encontro Diocesano de Sementes Crioulas.
Vamos multiplicar as sementes, produzir alimentos saudáveis e fazer acontecer a agroecologia!!!
Viva as sementes crioulas!!!!   

quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013

EJR convida jovens para a turma 2013

Turma EJR-2011

 Inscrições para Escola de Jovens Rurais (EJR) vão até 30 de abril

A Escola de Jovens Rurais-EJR é um projeto de formação de nossa Diocese destinado à juventude da roça. Tem abrangência regional, basicamente envolvendo os vales dos rios, Pardo e Taquari e é coordenado pela Comissão Pastoral da Terra Diocesana.
Lembramos que a Escola de Jovens Rurais é um curso de formação de lideranças jovens do meio rural, moças e rapazes com faixa etária entre 16 e 24 anos (se houver jovens mais velhos também serão aceitos). A formação acontece em etapas e trabalha os seguintes temas: Como ser um líder. Aprofundamento em temas ambientais e sociais. Produção ecológica. Associativismo e cooperativismo. Importância dos talentos de cada jovem e o trabalho em grupo. Desenvolvimento de oficinas práticas. Alimentação saudável e saúde. Mística e espiritualidade.
É com grande alegria que a coordenação da EJR abre as inscrições para jovens rurais das paróquias de nossa diocese. Os meses de março e abril são destinados a convidar e preparar os jovens que querem participar.
Critérios aos interessados (as):
*Ser jovem da roça e estar interessado em agricultura.
*Estar disposto(a) ao trabalho coletivo.
*Comprometer-se com os trabalhos e o estudo proposto pelo curso.
*Participar de todas as etapas de formação.
*Contribuir com as despesas do curso com dinheiro e alimentos produzidos na propriedade da família.
*Ao redor de cada jovem deve se formar uma equipe de apoio local, lideranças para dar força para o jovem antes, durante e depois da conclusão do curso. Esta equipe também poderá ajudar os jovens na busca de apoios para ajudar nos custos da escola.
Atenção!
Aceitamos as inscrições dos jovens até 30/04/2013. Salientamos que conforme os jovens inscritos das regiões da Diocese a coordenação vai fazer uma reunião preparatória com estes jovens antes da 1ªEtapa.
A 1ª Etapa vai acontecer dias 17 a 19/05/2013 em Rio Pardo no endereço abaixo descrito. As datas das próximas etapas serão combinadas com os jovens durante a 1ªEtapa a fim de não coincidir com as datas da escola normal.
Tenda da EJR na Romaria da Terra
Para preencher a ficha de inscrição e obter maiores informações entre em contato com a coordenação da Escola.
Escola de Jovens Rurais-EJR
Avenida dos Amaraes, 1815 - Bairro Boa Vista
CEP: 96640-000 - Rio Pardo/RS
Fone: 0(51)91466134
E-mail: penaterra@ibest.com.br
Falar com Oldi Helena Jantsch ou Maurício Queiroz - CPT da Diocese de Santa Cruz do Sul.
Texto elaborado pela coordenação da EJR

sábado, 8 de dezembro de 2012

Repartir o Chão Para Multiplicar o Pão - Reforma Agrária no Chão


por Oldi Helena Jantsch*
Por que não, o governo desapropriar as áreas devolutas, improdutivas ou suas próprias áreas para fazer assentamentos? Olha só que maravilha as famílias assentadas no Assentamento São Pedro de Encruzilhada do Sul-RS, conhecido popularmente como Assentamento da Quinta, tem diversidade de produção. Neste assentamento ligado ao MST são 45 famílias assentadas e boa parte destas famílias produz leite, verduras, peixes e frutas. 
A foto é da produção de pêssego da Beloni, que neste ano deverá colher 2.000kg. Ela juntamente com outros agricultores vende o pêssego na beira da rodovia.
Nós da CPT achamos que nesta região deve ter um entreposto para a venda dos produtos da Reforma Agrária. 
Quando vejo estas famílias e sua produção cada vez mais me convenço, “Repartir o Chão para Multiplicar o Pão”, Reforma Agrária é Solução!
Arroz Sequeiro
Se as águas já estão tão contaminadas e comprometidas com grandes irrigações de arroz e outras culturas com utilização de muito agrotóxico. Por que não plantar arroz sequeiro, variedade crioula e resistente que se adapta bem a pouca água e produz bem? O arroz tem grande produtividade e é um alimento que nossos avós produziam e conheciam muito bem.
Que tal produzir arroz como a família da Danieli Kovalski Jasniewcz de Encruzilhada do Sul-RS, que produz arroz e descasca em um descascador próprio da família.
É bom lembrarmos que os Assentamentos da Região Metropolitana de Porto Alegre produzem mais de 100 mil sacas de arroz orgânico. É arroz irrigado provando que o arroz irrigado pode ser produzido de forma orgânica.
Não use plásticos!
Não usem embalagens de plástico, pode fazer como eu faço, utilizo bolsa de palha de trigo e também de tecido. Como esta bolsa feita de calça Jeans velha. Esta sacola é muito resistente, protege o meio ambiente por que estamos reutilizando fazendo outro produto.
Por fim, use chapéu de palha!
Abraços e bom final de semana.
*Oldi Helena Jantsch, conhecida por Tiririca, faz parte da CPT da Diocese de Santa Cruz e CPT-RS.

domingo, 2 de setembro de 2012

Agroecologia é Tema de Tarde de Campo

Agricultores e agricultoras de Cruzeiro do Sul participaram no dia 28 de agosto de Tarde de Campo sobre Agroecologia na propriedade do agricultor Selvino da Costa em Passo do Corvo, interior do município de Arroio do Meio, com o tema “Construindo a Agroecologia no Vale do Taquari”. A iniciativa dos agricultores de Cruzeiro em participar se deve ao Encontro de Sementes Crioulas organizado em Cruzeiro do Sul pela Comissão Pastoral da Terra-CPT Diocesana e o Sindicato de Trabalhadores Rurais no dia 06 de agosto.
A tarde de campo foi iniciativa foi da Articulação da Agroecologia do Vale do Taquari-AAVT e da EMATER de Arroio do Meio. A CPT e o STR fazem parte da AAVT
Os cerca de 150 participantes de vários municípios da região circularam em 4 oficinas temáticas, a saber: 1ª Estação – Manejo Ecológico do Solo. Onde o agricultor Selvino teve a oportunidade de explicar o processo de recuperação do solo e da implantação do pomar de pêssegos em sua propriedade, o Agrônomo Lauderson Holz abordou a importância do Manejo Ecológico do Solo. 2ªEstação – Princípios Agroecológicos. O Agrônomo da EMATER Regional, Derli Bonini, falou do controle biológico de “pragas e insetos”que é a base para qualquer sistema Agroecológico. Falou ainda de técnicas de controle de doenças e insetos com produtos naturais promovendo o equilíbrio biológico. 3ªEstação – Políticas Públicas de Incentivo – Conduzida pelos Agrônomos Lauro Bernardi e Paulo Konrath da EMATER Regional. Tipos de créditos disponíveis, critérios e condições de acesso. 4ªEstação – Feira Livre e Mercado para os produtos ecológicos – As agricultoras do grupo Ecológico de Forqueta, Arroio do Meio, falaram da experiência de produção ecológica que o grupo desenvolve há mais de 10 anos. As famílias produzem hortaliças ecológicas diversas e colocam em alguns mercados e especialmente na Feira Ecológica que ocorre todo sábado pela manhã. Mauro Stein falou do Programa de Aquisição de Alimentos-PAA, que é um programa muito bom para comprar diretamente alimentos produzidos por famílias e grupos de agricultores e agricultoras.
Apesar do dia nublado e chuvoso a Tarde de Campo foi muito proveitosa pelos agricultores em geral especialmente os agricultores e agricultoras de Cruzeiro do Sul, que voltaram mais convictos da importância de incentivar a Agroecologia em Cruzeiro do Sul e também do apoio a feira que acontece todos os sábados pela manhã em Cruzeiro do Sul. Participe da Feira de Cruzeiro do Sul. Compre dos agricultores e agricultoras que se dedicam para levar para a feira verduras e pães fresquinhos e de qualidade!
A Pastoral da Terra que atua em nível de Diocese irá realizar o 13ºEncontro Diocesano de Sementes Crioulas em Cruzeiro do Sul em 2013, este encontro será fundamental para fortalecer iniciativas como a Feira de Cruzeiro e a valorização dos agricultores e agricultoras que trabalham com sementes crioulas e os interessados em ter novamente as sementes. O Encontro Diocesano de Sementes Crioulas será para difundir e aprofundar a agroecologia no município e região.
A tarde de campo foi encerrada com degustação de alimentos ecológicos.
Por Comissão Pastoral da Terra Diocese de Santa Cruz do Sul.
Foto: Jornal Pé na Terra (agricultores de Cruzeiro do Sul com o Grupo de Agricultores Ecologistas de Forqueta, Arroio do Meio).

quarta-feira, 22 de agosto de 2012

EJR envia jovem para Intercâmbio na Alemanha


Dia 19 de agosto na festa da Comunidade São Vendelino de Forqueta, Arroio do Meio, foi feito bênção de envio de Cândida Taís Maders que irá representar nossa Diocese em um intercâmbio na Alemanha. Cândida é uma jovem da roça que participou da EJR e é uma ecologista e foi indicada pela coordenação da Escola de Jovens Rurais para ir pra Alemanha. Cândida recebeu a bênção do Pe. Paulo e a força de toda a comunidade.
Depois de 10 anos de Intercâmbio entre as Dioceses de Santa Cruz do Sul e Rottenburg/Stuttgart da Alemanha será a primeira vez que jovens do Brasil, Argentina e México vão para a Alemanha participar deste Intercâmbio. A EJR desde o início recebe jovens alemães deste projeto de Intercâmbio onde os jovens realizam um trabalho voluntário em projetos sociais. 
Junto com a Cândida no dia 2 de setembro irão também Yasmin Amaral Zacca de Porto Alegre, 2 jovens argentinos e 2 mexicanos, permanecendo na Alemanha por 1 ano.
Além da nossa Diocese está envolvida as Dioceses de Cachoeira do Sul, São Leopoldo e Porto Alegre.
Fonte: CPT Diocese de Santa Cruz

As crianças e as sementes crioulas


Dia 14 de agosto a professora Grasiela Jantsch dos Santos da Escola Municipal de Ensino Fundamental Adelino Lopes da Silva de Cruzeiro do Sul reuniu seu grupo de alunos para fazer uma prática com sementes crioulas. A coordenadora Diocesana da Comissão Pastoral da Terra, Oldi Helena Jantsch, falou para as crianças sobre a importância das sementes crioulas e do meio ambiente, fez brincadeiras e distribuiu sementes de feijão olho-de-cabra para as crianças levarem para suas casas e plantarem com seus pais. Um lindo feijão que pode ser para fazer artesanato e também para alimentação, pois, é muito nutritivo.
Também conversou com professores sobre o 13ºEncontro Diocesano de Sementes Crioulas que irá acontecer em Cruzeiro do Sul em 2013 e da importância da participação dos jovens e professores. Encontro que irá abordar muito forte a questão ambiental e as alternativas.

Os jovens da EJR e a festa de Nossa Senhora de Czestochowa


No dia 15 de agosto na festa de Nossa Senhora Czestochowa em Dom Feliciano, os jovens da EJR organizaram uma Banca com sementes crioulas e produtos produzidos em suas propriedades. Na missa os jovens levaram uma cesta com produtos por eles produzidos e na banca distribuíram e trocaram sementes com os participantes da festa. 
Este dia serviu para fortalecer ainda mais o trabalho da EJR e da CPT na região e para planejar as próximas ações a serem realizadas na região entre elas, o 22ºSeminário Estadual de Alternativas a Cultura do Fumo que irá acontecer dias 22 e 23 de novembro. Em Dom Feliciano tem um grupo de jovens que participam da Escola de Jovens Rurais que são muito especiais, por que assumiram com muita alegria a agroecologia e as sementes crioulas.
A preservação das sementes é garantia de alimentos de qualidade e saudáveis. Viva a agroecologia. 
Fonte: CPT Diocese de Santa Cruz

Encontro de Sementes Crioulas em Cruzeiro do Sul


Pastoral da Terra realizou Encontro de Sementes Crioulas em Cruzeiro do Sul no dia 06 de agosto de 2012. Com apoio do Sindicato de Trabalhadores Rurais e da Paróquia São Gabriel Arcanjo o encontro reuniu cerca de 30 pessoas. Foi o objetivo do encontro reunir especialmente os agricultores e agricultoras que se dedicam ao trabalho com as sementes crioulas, por isso um grupo mais reduzido e para os organizadores uma prévia do 13º Encontro Diocesano de Sementes Crioulas que será realizado em Cruzeiro do Sul em 2013 que será discutido e preparado conjuntamente com este grupo tão especial de agricultores e agricultoras.
Além de partilha de sementes e de experiências, música o grupo assistiu e debateu o filme “O veneno está na mesa”que trás presente a problemática dos agrotóxicos.  Foi encaminhado realizar outro encontro no dia 18 de outubro e também que o grupo vai participar da tarde de campo sobre agroecologia realizada pela Articulação da Agroecologia do Vale do Taquari-AAVT no dia 28 de agosto em Arroio do Meio.
Fonte: CPT Diocese de Santa Cruz

CPT - RS realiza etapa de formação em Rio Pardo


Aconteceu nos dias 6, 7 e 8 de agosto em Rio Pardo, na Casa Jesus Maria José, a 2ªEtapa do Curso de Novos Agentes da Comissão Pastoral da Terra do RS. Ao todo estiveram presentes 28 pessoas de várias regiões do estado. A equipe da CPT Diocesana marcou presença com 9 participantes. O tema foi “Estudo do Campesinato”e teve assessoria do Professor Cesar Goes que é sociólogo e da Antropóloga Tanussa Simas, que fez o estudo antropológico do Quilombo da Quadra de Encruzilhada do Sul.
Um dos dias dedicou-se a estudar as Comunidades Quilombolas, seus costumes, tradições, organização e luta. Além de aprofundar todos os passos e o processo para o reconhecimento de território quilombola. Adair David e Tiago David, lideranças do Quilombo Rincão dos Negros de Rio Pardo e participantes da CPT levaram todo o grupo no dia 7 para visitar o Quilombo, certamente um dos pontos mais altos do encontro.
Em nossa Diocese existe 3 Quilombos reconhecidos pelo INCRA, são eles: São Roque de Arroio do Meio, Rincão dos Negros de Rio Pardo e Quilombo da Quadra de Encruzilhada do Sul.
Fonte: CPT Diocese de Santa Cruz

segunda-feira, 18 de junho de 2012

12º Encontro de Sementes Crioulas: Sementes Crioulas “Patrimônio dos Povos”


Aconteceu no dia 13 de junho de 2012 em Vale do Sol-RS, o 12ºEncontro Diocesano de Sementes Crioulas. O encontro que é organizado todos os anos pela CPT Diocesana em municípios diferentes, reuniu mais de 450 participantes de vários municípios da região, sendo a maioria pequenos agricultores(as) e jovens da roça envolvidos na preservação e multiplicação de sementes crioulas, além de grupos de produção ecológica. 
O encontro contou com uma profunda espiritualidade conduzida pelo Padre Pedro Bernardo Rockenbach e o Pastor Claudinei Stack que refletiram o texto bíblico de Isaías (65, 17-25)”O novo céu e a nova terra”. Trazendo a mensagem para os dias de hoje, o sonho de termos uma sociedade mais justa, fraterna com ecologia e justiça social.
Em seguida, após a abertura, houve a palestra da Nutricionista Regina Silva Miranda que abordou a importância do tema das sementes crioulas para a segurança e soberania alimentar dos povos do mundo inteiro. Segundo ela “somos o que comemos, devemos priorizar os alimentos da época e da região. Ali-mento, é aquele que está próximo e lá-mento é a alimentação que viaja km e mais km, custando ao meio ambiente além de ser cheia de veneno, e que não alimenta”.Ela ainda reforçou a importância dos alimentos ecológicos e que são infinitamente superiores aos alimentos produzidos com agrotóxicos. Lembrou ainda “se vocês estiverem em um lugar para almoçar ou jantar e estão na dúvida do que comer. Feijão e arroz sempre é a melhor escolha, o feijão com arroz é o prato brasileiro e que só faz bem”. “Não mais que 10 empresas no mundo controlam as sementes, os alimentos, produzem venenos que geram doenças e produzem “medicamentos”, é um círculo vicioso ao qual estamos dependentes”. 
O almoço foi a base de “Prato Forte”que é uma comida típica de Vale do Sol que tem como ingredientes galinha caipira e mais de 20 tipos de temperos e legumes. Acompanhado de 1 copo de suco de uva ecológico.
No início da tarde houve apresentações culturais, com espaço aberto para quem quisesse cantar, e foi muito legal as apresentações, com destaque aos Quilombolas de Rincão dos Negros de Rio Pardo que subiram no palco e cantaram uma música. 
PAIs-Produção Agroecológica Integrada e Sustentável foi a experiência da tarde relatada pelos próprios agricultores e agricultoras de Vale do Sol envolvidos no projeto que integra produção ecológica de hortaliças e criação de galinhas caipiras. Esta experiência chamou a atenção do pessoal, pelo sucesso que está fazendo no município, especialmente por ser a experiência que está produzindo a maioria dos alimentos para a merenda escolar do município.
O encontro é de Sementes Crioulas, ou melhor dos agricultores e agricultoras e suas sementes crioulas sendo este o principal destaque do encontro com a presença massiva de agricultores(as). Quem participou do encontro ficou fascinado pela agro-biodiversidade trazida pelos agricultores(as).  Além da troca de sementes crioulas entre os presentes os agricultores puderam comprar sementes uns dos outros colocando em prática um outro tipo de economia, economia local e solidária. Poderíamos dizer Encontro Diocesano de Sementes Crioulas e Feira da Agrobiodiversidade.
“Trago estas sementes de milho que são produzidas há cerca de 120 anos na minha família, a Pastoral da Terra e os agricultores estão de parabéns por organizar encontros como este, que valorizam o agricultor e suas sementes”, dizia um pequeno agricultor de Formosa, município de Vale do Sol.
Com a grande participação e a linda amostra de Biodiversidade ficou provado que o povo quer as sementes crioulas e ao mesmo tempo uma forma de protesto contra as multinacionais que controlam as sementes, contra os transgênicos e contra os agrotóxicos.
O 13ºEncontro Diocesano de Sementes Crioulas vai acontecer em 2013 no município de Cruzeiro do Sul-RS.
Agradecemos aos agricultores e agricultoras presentes, as entidades de apoio e que ajudaram a organizar este encontro.

Oldi Helena Jantsch e Maurício Queiroz
Pela coordenação do encontro e da Comissão Pastoral da Terra Diocese de Santa Cruz do Sul

quinta-feira, 3 de maio de 2012

12ºEncontro Diocesano de Sementes Crioulas

Entrevista com o Padre Pedro Bernardo Rockenbach*, sobre o 12ºEncontro Diocesano de Sementes Crioulas da Diocese de Santa Cruz do Sul, que acontecerá em sua Paróquia, São José de Vale do Sol-RS

Pé na Terra – O senhor sempre teve uma ligação com a luta dos pequenos agricultores?
Pe. Pedro – Sou filho de pequenos agricultores de Conventos, município de Lajeado-RS. Por ser filho de pequenos agricultores entendo bem esta luta e por isso estou comprometido e ligado com ela. Fui ordenado padre em 1994 e nas paróquias que atuei (Sério, Canudos do Vale, Boqueirão do Leão e agora Vale do Sol) sempre procurei acompanhar o trabalho dos pequenos agricultores e dar o apoio da minha Paróquia. 
Desde 1983 participo da Romaria da Terra que é a romaria dedicada a causa do pequeno agricultor, da mulher da roça, dos sem-terras e do jovem da roça. Também estive presente quando do surgimento do Movimento dos Pequenos Agricultores, o MPA no ano de 1995. Também sempre incentivei jovens rurais de minha paróquia a participarem da Escola de Jovens Rurais para melhor se aperfeiçoarem.
Pé na Terra – Este ano o 12º Encontro Diocesano de Sementes Crioulas vai acontecer na sua Paróquia. Na sua opinião, qual o significado deste encontro para o povo de Vale do Sol e da região?
Pe. Pedro – O encontro é para os pequenos agricultores e agricultoras e é importante por que vai tratar justamente do trabalho dos agricultores, visando melhorar a vida deles. Visando fortalecimento e valorização dos pequenos agricultores, proporcionando uma maior conscientização sobre o meio ambiente, sobre a importância do resgate das sementes crioulas bem como da luta pela sobrevivência na roça. 
Na minha família sempre lidamos com verduras, frutas, criação de animais, etc, nunca utilizamos um pingo de veneno, falo isso por que desde meus 9 anos ajudei na lavoura e acho que o encontro tem esta importância também, que é estimular a produção ecológica e que é possível produzir sem utilizar venenos.
Pé na Terra – Padre Pedro o que você acha da luta pela preservação das sementes crioulas?
Pe. Pedro – Considero uma luta fundamental, preservar este importante Patrimônio da Humanidade especialmente para os colonos não ficarem escravos das empresas multinacionais que controlam as sementes. Proporcionando com isso mais autonomia e garantia de alimentos de qualidade.
O convite:
É com muita alegria que convido vocês agricultores e agricultoras de minha Paróquia, de toda a Diocese e de todo o estado para participarem do 12ºEncontro Diocesano de Sementes Crioulas que será realizado aqui em Vale do Sol-RS no dia 13 de junho de 2012.
Vamos fazer deste dia um dia muito especial, por isso se organizem, convidem vizinhos e amigos para participarem trazendo suas sementes crioulas e suas experiências.
Sua participação é muito importante por que “Um outro mundo é possivel”
Um abraço 
Padre Pedro Bernardo Rockenbach.

*Padre Pedro é atua na Paróquia São José de Vale do Sol-RS e na CPT da Diocese de Santa Cruz do Sul há muitos anos.
Fonte: Pé na Terra - EJR - CPT/Diocese de Santa Cruz do Sul

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Jovens percorrem os “Caminhos de São Sepé Tiarajú”

Encontro com a comunidade Quilombola de Rincão dos Negros-Rio Pardo-RS
“De bicicleta deixando para trás o estresse, contemplando a natureza e se comprometendo com a vida”.

Por Maurício Queiroz*
Aconteceu de 3 a 7 de fevereiro de 2012 a 5ª”Bicicletada”, “Jovens Percorrendo os Caminhos de São Sepé Tiarajú saindo de Rio Pardo e indo em direção à São Gabriel-RS.
Este ano, ao contrario dos anteriores, a “Bicicletada”não percorreu toda a quilometragem de mais de 220km. Aconteceu com atos nas cidades de: Rio Pardo, São Sepé, Caçapava do Sul e São Gabriel. Ao todo mais de 25 jovens fizeram cerca de 100km de bicicleta nestes atos realizados nas cidades que citamos acima.
Em Rio Pardo, teve início nas margens da Rodovia BR 471 entre Pântano Grande e Rio Pardo, em uma fonte na beira da rodovia que secou devido a monocultura de eucalipto dos latifúndios próximos, com reflexão sobre o meio ambiente e as injustiças sociais. Depois seguiram até Rio Pardo distante 16,4 km, onde almoçaram na Casa Jesus Maria José e ficaram hospedados, neste local também foi realizado formação com os jovens.
A tarde realizaram ato no Forte Jesus Maria José local onde os Portugueses prenderam o índio Sepé. Lá os jovens da “Bicicletada” receberam cerca de 500 jovens do Levante Popular da Juventude de todo o Brasil. Houve uma forte reflexão sobre a luta dos povos indígenas feita pelo Irmão Antônio Cechin que abordou questões históricas e atuais da luta.
A juventude do Levante junto com os jovens da Bicicletada
em Rio Pardo no Forte Jesus Maria José em Rio Pardo-RS
No dia 04 pela manhã os jovens foram visitar locais históricos de Rio Pardo, entre os principais: A Rua da Ladeira (1ªrua calçada no RS, feita pelos escravos há quase 200 anos). Na parte da tarde a visita foi para o Quilombo Rincão dos Negros, no Passo da Taquara, em Rio Pardo. Maurício e Oldi da CPT organizaram a visita que foi uma forma de integrar os jovens junto aos Quilombolas para conhecerem sua história. Quilombo este que está trabalhando para recuperar suas terras. As 30 famílias receberão 500 hectares que já estão sendo demarcadas. Uma luta muito importante e que foi relatada pelo líder Adair David.
No dia 5 foram de ônibus até São Sepé onde realizaram atos locais e seguiram em direção à São Gabriel, local onde Sepé Tiarajú foi morto no dia 07 de fevereiro de 1756 pelos exércitos de Espanha e Portugal que armaram emboscada e no dia 10 de fevereiro de 1756 mais de 1500 guaranis foram assassinados pelos dois exércitos. Dias 6 e 7 os jovens participaram do encontro dos Guaranis que estavam em mais de 500 acampados no parque do município discutindo a sua luta.
Creio que relatei os pontos mais importantes do roteiro, mas queria ainda dizer que o objetivo da “Bicicletada”é Unir jovens da roça e das periferias urbanas, indígenas e quilombolas e demais culturas em uma atividade física que é bom para o corpo e a mente, em uma atividade que trás reflexão sobre o meio ambiente, fé e também sobre a luta dos povos gerando consciência social e compromisso com estas causas.
Ande de bicicleta. Faça atividade física. Preserve a natureza. Se comprometa com a vida. Entre na luta social por um mundo melhor.

*Maurício Queiroz é Técnico Agrícola, estudante de Biologia, agente da CPT na Diocese de Santa Cruz do Sul e membro da coordenação colegiada da CPT-RS.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Os desafios da seca - Alerta da CPT Diocesana de Santa Cruz do Sul

Nosso estado enfrenta mais uma seca. É bem certo que secas sempre existiram, mas não como agora, uma seca atrás da outra. E o que é pior todos sofremos na pele as altas temperaturas, a estiagem, sejamos nós defensores do planeta ou não, afinal de contas moramos na mesma casa. Falamos isso por que as conseqüências são para todos nós, para quem cuida do planeta e para quem não está nem aí. Bom se pudesse ser diferente, quem adotasse práticas de conservação seria poupado da seca e quem não cuidasse como deveria pagaria pelas consequências. Mas o planeta é realmente perfeito, e exige atitudes de todos nós, sejamos da roça ou da cidade.
Também é verdade que não inventamos a seca, mas também é verdade que interferimos na natureza de tal forma a alterar o clima do planeta. Causando secas mais longas e freqüentes, ou outros desequilíbrios que acarretam tempestades, excesso de chuvas em determinadas regiões. Enquanto amargamos a seca aqui no sul, no centro-oeste brasileiro o povo sofre com temporais e enchentes. Em 4 de janeiro de 2010 o Vale do Taquari, o Vale do Rio Pardo e outras regiões sofreram uma das maiores enchentes das últimas décadas.
Não é possível evitar uma seca, mas boas práticas assumidas por todos nós amenizam seus efeitos. Citamos algumas: coleta seletiva do lixo e sobre tudo produzir menos lixo, mudar o padrão de consumo, conservar mais áreas com florestas nativas e áreas maiores, proteger fontes e nascentes especialmente rios com floresta ao redor e produzir com diversificação nas propriedades e apostar na agroecologia.
É de conhecimento de todos que se todo o mundo tiver o padrão de consumo que os americanos tem hoje, precisaremos de 3 planetas terra para dar conta. Infelizmente o mundo caminha nesta direção. Latifúndios repletos de monoculturas de eucalipto, acácia ou pinus são altamente prejudiciais ao meio ambiente. Lembramos que o Brasil é campeão mundial de uso de agrotóxicos desde 2007, não se surpreendam se em breve seremos campeões de índice de câncer. Tudo isso contribui para as mudanças climáticas.
Na prática quem está sofrendo mais com a seca são os pequenos agricultores e agricultoras e são justamente os que mais preservam. A Comissão Pastoral da Terra, Diocese de Santa Cruz do Sul-RS, acompanha diretamente pequenos agricultores e jovens da roça procurando ajudá-los a melhorar seu trabalho para ter uma vida melhor, incentivando o trabalho de agroecologia e alternativas que sejam melhores para a vida do camponês e para o meio ambiente. É triste ver a situação destes pequenos agricultores que perderam praticamente tudo, pois a maioria não tem seguro, como é o caso de muitos agricultores que plantaram milho crioulo e outras variedades sem financiamentos. Quem vai ajudá-los? Parece que o auxílio será para quem teve financiamento do governo. E os outros ficarão excluídos?
Até bem pouco a maioria dos gaúchos pensava que seca era só problema dos nordestinos, hoje todo mundo sabe que a seca mais cedo ou mais tarde vai chegar. O mesmo se pensava sobre cisterna, a maioria dizia “cisterna prá quê”, hoje muitos começam a admitir a idéia de construir uma. Os antigos agricultores tinham cisternas, não é novidade, mas com as “modernidades”foi se desprezando os conhecimentos do povo.
Temos orgulho em ter organizado a construção das 1ªCisterna de Placas do RS, feita em 4 dias através de mutirão e com capacidade para 18.000 litros, adotamos o mesmo modelo do nordeste que é ideal para uma família de pequenos agricultores. Na ocasião trouxemos um pedreiro da Paraíba, que ensinou vários agricultores as técnicas de construção. A cisterna foi construída em fevereiro de 2006 na propriedade de José Fernando Jorge da Silva, o Nandi, na comunidade da Divisa em Pântano Grande-RS. De lá prá cá Nandi enfrentou a seca com mais segurança, pois teve água potável especialmente para beber e cozinhar. Também ajudou os vizinhos. Assim também foi a Cisterna construída na semana seguinte, no Assentamento Padre Réus de Encruzilhada do Sul, depois na casa da família dos jovens André e Carlos Fischborn de linha 24 de fevereiro município de Vale do Sol-RS e 2 em Venâncio Aires na família de Anderson Posselt de linha Andreas. Todas cumprem função social.
Hoje são várias Cisternas de Placas construídas em todo o RS, experiência que começou aqui e que foi a maioria paga por recursos próprios dos agricultores ou com apoio da Cáritas/RS e Fundo Nacional de Solidariedade, que é dinheiro da Campanha da Fraternidade. Se dependesse do governo Federal, Estadual e da maioria dos municípios não tinha nenhuma cisterna construída, com exceção de Lagoa Bonita do Sul-RS que a prefeitura priorizou a construção de cisternas.
O custo médio para construir uma Cisterna de Placas como esta, feita em mutirão e em forma de oficina capacitando mais pessoas é R$2.500,00, podendo baixar os custos dependendo da realidade.
A Comissão Pastoral da Terra defende que cada família de pequeno agricultor tenha no mínimo 1 cisterna em sua propriedade e que os Governos se comprometam em liberar recursos para viabilizar os projetos, pois água é um direito de todos e um bem essencial à vida.
Comissão Pastoral da Terra, Diocese de Santa Cruz do Sul
Aos interessados - Contato 051-91466134 e-mail penaterra@ibest.com.br
Janeiro de 2012

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Os 10 alimentos mais contaminados por agrotóxicos

Cartilha da ANVISA
Um estudo da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (ANVISA) mostra que muitos dos alimentos que a população consome estão contaminados. “São ingredientes ativos com elevado grau de toxicidade aguda comprovada e que causam problemas neurológicos, reprodutivos, de desregulação hormonal e até câncer” segundo a ANVISA.
O Projeto de Análise de Resíduos de Agrotóxicos em alimentos, realizado pela ANVISA em conjunto com os órgãos de vigilância de 25 estados participantes, mais o Distrito Federal, analisou diversos legumes, frutas e vegetais para ver a quantidade de contaminação.
Entre as amostragens analisadas, os alimentos que foram contaminados com uma freqüência maior foram:
1º-Pimentão 80,00%
2º-Uva 56,40%
3º-Pepino 54,80%
4º-Morango 50,80%
5º-Couve-Flor 44,20%
6º-Abacaxi 44,10%
7º-Mamão 38,80%
8º-Alface 38,40%
9º-Tomate 32,60%
10º-Beterraba 32,00%
Enviado por Maurício Queiroz, Técnico Agrícola, estudante de Biologia, agente da CPT na Diocese de Santa Cruz do Sul e membro da coordenação colegiada da CPT-RS.

Água de cisterna faz bem

Anderson e esposa - visita da Tiririca
Estive no Congresso Nacional da Cáritas no dia 11/11/11, conversei com várias pessoas entre elas o Bispo Dom Demétrio Valentini, Bispo que é Presidente da Cáritas Brasileira e é natural do RS, Dom Demétrio é filho de pequenos agricultores de família de 12 irmãos, igual a minha família onde somos também 12 irmãos.
Minha mãe teve os 12 filhos de parto normal, na maioria das vezes em casa e todos nasceram com saúde. A alimentação destas mães com certeza era mais saudável do que a alimentação que se come hoje, sem falar do estilo de vida totalmente diferente e do chazinho que as mães davam aos filhos e que era poderoso, hoje se orienta a não dar nada de chá, por acaso o chazinho de poejo fez algum mal? Queria dizer que escuto muito que as mães de hoje têm dificuldades em gerar filhos, muitas com gravidez de risco, e a maioria tem no máximo 3 filhos nascidos por cesariana, que é muito ruim para a mãe, mas para o médico é ótimo, pois ganha mais. Defendo a cesariana em caso de necessidade mesmo. Gravidez não é doença!
Há 2 semanas fui conferir como ficou a cisterna de placas do jovem agricultor Anderson Posselt, de Venâncio Aires, que participou da Escola de Jovens Rurais alguns anos atrás. A cisterna está cheia e é muito utilizada, especialmente para a horta e os animais. Muitos antigos tinham cisterna em casa e usavam a água para tudo inclusive para tomar. A água da cisterna faz mal??? Eu acho que tomando alguns cuidados pode ser utilizada para o consumo humano sem qualquer problema.
Abraços e boa semana
Oldi (Tiririca), da CPT da Diocese de Santa Cruz

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

Visita à experiências na Alemanha

Francisco, Maurício, Franziska e Oldi.
Ao fundo o Castelo de Ludvig II
Por Maurício Queiroz**
De 22 de julho até 19 de agosto de 2011 estive visitando a Alemanha, minha segunda viagem, a primeira ocorreu em janeiro de 2001. Junto comigo foi Oldi Jantsch, agricultora e agente da CPT na Diocese de Santa Cruz do Sul, Francisco Fritzen agricultor ecologista da CPT, Petronila Andrade liderança comunitária e Elcida Wietzke de Venâncio Aires que atua no trabalho pastoral. Após vários convites de amigos e amigas, finalmente conseguimos ir. Fomos com um propósito bem definido, participar de um seminário em Wernau sobre o intercâmbio de jovens entre as Dioceses de Santa Cruz do Sul e Rottenburg/Stuttgart e visitar os jovens que fizeram intercâmbio em nossa querida Escola de Jovens Rurais, muitos dos quais moraram na casa da Oldi Jantsch e participaram dia a dia do trabalho da Escola de Jovens Rurais e da CPT desde agosto de 2002, quase 10 anos de história de intercâmbio. Ficamos hospedados nas famílias dos jovens que estiveram em intercâmbio com a CPT e EJR.
A região onde tivemos é conhecida por Schwäbische Alb, onde se fala o Schwäbische, dialeto da região, com sotaque típico desta região e estávamos no estado de Baden-Wüthenberg e Stuttgart é a capital do estado.
Em visita ao agricultor que produz sementes ecológicas
de hortaliças e flores
Foi um tempo muito legal, conhecer as famílias dos jovens, rever amigos e amigas, conhecer um pouquinho da Alemanha e também da cultura. Visitamos locais turísticos como o Lago de Bodensee na divisa com a Áustria e bem perto da Suíça, Fabian* e Mathias* nos levaram e a cidade histórica de Rhotenburg que a família de Elisabeth Franz* fez questão de nos levar, cidade que preserva as construções do tempo da idade média. Franziska Mayer* nos levou para visitar imponente Castelo de Ludvig II e Simon Gmeiner* a uma cervejaria, entre tantas outras experiências legais. Além disso, também visitamos agricultores que produzem de forma ecológica, um dos meus principais objetivos.
Produção de leite ecológico na família de Jonas Notz*, na cidade de Leutkirch na região de Algäu, sul da Alemanha, nos Alpes. Ficamos na casa de Alfons e Marlise Notz, pais de Jonas, por 3 dias e acompanhamos todo o processo de produção que segue rigorosamente as normas da Biodinâmica idealizada por Rudolf Steiner. Para isso utilizam alimentação natural, o feno de vários tipos de pasto é utilizado no inverno e no verão as vacas são levadas ao pasto em piquetes bem planejados.
Jonas Notz conduz vacas para o estábulo
As vacas são tratadas com respeito, tanto é que todas elas têm chifres, não são inseminadas artificialmente ao contrário das vacas convencionais que são mochas e são inseminadas artificialmente. Também não são agredidas e recebem alimentação sem hormônios e só medicamentos homeopáticos.
Alfons e Marlise fazem parte dos pequenos agricultores da Alemanha que igual aos pequenos agricultores do Brasil e outras partes do mundo precisam lutar muito para sobreviverem. Importante é dizer que já são 30 anos de produção ecológica, leite este que vai para uma organização ecológica chamada Demeter e transformam em queijo, diga-se de passagem, muito saboroso. O leite é vendido a 50 centavos de euro (R$1,15) enquanto que o leite convencional (não ecológico)é vendido a 35 centavos de euro (R$0,80) e os custos são bem mais elevados.
Jonas faz questão de dizer que seus pais estão contentes com o que fazem e por isso são felizes. Ele também pensa em ser agricultor por isso faz um curso.
Também visitamos outras experiências como a produção de hortaliças ecológicas para a venda na feira livre que é muito difundida na Alemanha, produção de cabras para leite no mesmo sistema de produção da família do Jonas e visitamos um agricultor que produz sementes ecológicas, mais ou menos um agricultor que produz sementes crioulas.
Maurício visita a horta do Josef
Embora a agricultura ecológica cresça bastante na Alemanha e Europa em geral, o agronegócio também cresce e é como no mundo inteiro, grandes plantios, normalmente monoculturas como o milho que vimos na Alemanha que não será alimento e sim gás para produção de energia e também grandes estábulos com vacas confinadas o tempo todo, ganhando ração, hormônios, antibióticos e o leite é retirado por meio de um robô. É possível ver no semblante dos animais que são doentes e estão longe de serem animais felizes. Imagino que quem toma um leite desses, não se alimenta e sim se intoxica ou se envenena.
Por fim queria dizer que não troco viver no meu Brasil por viver em qualquer país da Europa. Nós temos o melhor clima do mundo, podemos produzir de tudo e o ano todo. Temos uma terra rica e diversificada e muitas horas de sol no ano importante para a agricultura e também para o aproveitamento da energia de diversas formas e temos muitas riquezas naturais, e a maior biodiversidade do mundo graças ao clima tropical que não tem na Europa. O Brasil precisa preservar as riquezas naturais e apoiar os camponeses e camponesas na produção de alimentos ecológicos.

*Jovens Alemães que realizaram intercâmbio na Comissão Pastoral Terra e Escola de Jovens Rurais, Dioc.deSanta Cruz do Sul.
**Maurício Queiroz* é Técnico Agrícola, estudante de Biologia, agente da CPT na Diocese de Santa Cruz do Sul e membro da coordenação colegiada da CPT-RS.