Mostrando postagens com marcador CIMI. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador CIMI. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

Sepé Tiaraju: fazendo memória pelos caminhos da luta e da resistência

Desde 2004, no mês de fevereiro, os Guarani marcam presença em São Gabriel para homenagear Sepé Tiaraju, símbolo da luta por uma Terra Sem Males. Recordam um guerreiro Guarani que lutou até as ultimas consequências em defesa de  seu povo e pelo direito de viver em paz em seu território. Sepé enfrentou no seu tempo os dois grandes impérios da época Espanha e Portugal os quais tinham interesses econômicos e políticos sobre os seus territórios. Sepé não lutou sozinho junto a ele encontravam-se milhares de guarani e indígenas que não aceitaram deixar sua terra, seu território em troca de interesses políticos, econômicos, religiosos das grandes potências da época.

Sepé foi morto no dia 07 de Fevereiro de 1756 pelos exércitos de Espanha e Portugal e no dia 10 do mesmo ano em Caiboaté foram massacrados mais de 1500 guarani que lutavam em defesa de sua terra.

Os Guarani retomam não só a memória da  luta de seus antepassados mas também as sua lutas de hoje. Mobilizados, através de encontros entre as aldeias e de reuniões  com os órgãos públicos o guarani tem relatado a sua realidade em busca de soluções, mas  pouco se tem avançado. Dentre os 07 GTs reivindicados pelos caciques e CAPG apenas 02 estão em curso: sendo um nas terras indígenas de  Itapuã, Ponta da Formiga e Morro do Coco e outro em Passo Grande, Petim e Arroio do Conde. Graças a essa mobilização e articulação das comunidades a história dos Guarani continua viva, resistente e mística.

Nos escritos da época das missões  Jesuíticas  muito se disse sobre como os Guarani viviam nas chamadas Reduções Missioneiras. Hoje os escritos autênticos sobre a vida do povo Guarani são extremamente diferentes daquela época. Hoje os relatos dão conta de que os Guarani do Rio Grande do Sul habitam as margens das estradas ou em espaços reduzidos vivendo em extrema dificuldades, sendo a principal delas a falta da terra.

Sem terra, dizem as lideranças indígenas, não há como se auto sustentarem, não há saúde para as crianças, não há como plantar, não há mato para tirar os remédios para as curas de enfermidades, não há espaço para o Sagrado. Em cada encontro do Sepé, em São Gabriel, os Guarani fazem seus rituais a Nhanderu pedindo força, luz, caminho e rumo para seguir na luta do dia a dia.

Sempre em cada Encontro do Sepé eles elaboram documentos as autoridades dos órgãos federais (Ministério da Justiça, Fundação Nacional do Índio-Funai, Secretaria Especial de Saúde Indígena-Sesai e para o Ministério Público Federal-MPF) e portanto, não há desculpas desses órgãos em dizer que desconhecem a realidade Guarani no sul do país.

E o mais trágico é que tanto a Funai quanto a Sesai participam, através de seus representantes da região, mas não levam respostas verdadeiras para os Guarani, apenas falsas promessas. Os Guarani reivindicam e almejam que as suas terras sejam demarcadas e querem viver em sua cultura, plantando suas roças com as sua sementes tradicionais, querem sossego e saúde para as crianças e para os mais velhos. Saúde para o Guarani, além de sua terra demarcada, é vida digna sem mentiras, enrolações, enganos e outros meios usados contra os indígenas para que seus direitos não sejam garantidos. Cabe ao governo federal, da presidenta Dilma, Ministro da Justiça, Funai, Sesai executar uma política seria em relação aos povos indígenas e cumprir a Constituição nos seus artigos 231 e 232.

Durante o encontro do Sepé, através da Palavra, os Xeramõi e Jariy- lideranças mais velhas- alertaram que a situação está cada vez mais difícil, por que o Juruá - os brancos - não os ouve, não os veem, não os reconhecem, não demarcam as suas terras, não atendem as suas reivindicações, não respeitam os seus direitos originários, não têm interesse em resolver as grandes questões e problemas em que vivem os Guarani. Inspirados pelas palavras dos mais velhos  as lideranças dizem: Os  Juruá, as autoridades governamentais  e parlamentares, que insistem em elaborar projetos de lei contra as demarcações de terra, falam falsas palavras, não dá mais para acreditar neles.

Na Sanga da Bica onde foi morto Sepé Tiaraju os Guarani entoam, a cada ano, seus  cantos a Nhanderu agradecendo, ao Deus Verdadeiro, por caminhar sempre com eles. As Kuña Karai e os Karai transmitem a força de Nhanderu  para as lutas do cotidiano, ressaltando a importância de estarem unidos, fortalecidos e articulados para enfrentarem os Juruá e suas falsas promessas. Bradam em voz alta “viva o  Sepé, a terra é dom de Tupã, dada aos homens para que seja cuidada, protegida, amada e respeitada”. Essas manifestações de utopia e esperança alimentam o sonho da Terra Sem Males e fortalece, através da memória dos guerreiros  e guerreiras que tombaram em defesa da vida e do território Guarani, o ideal de que a luta não será em vão, jamais.

CIMI Sul - Equipe Porto Alegre

segunda-feira, 9 de novembro de 2015

3º Encontro de Povos Tradicionais do RS


Carta dos Povos Tradicionais do RS
Somos 87, mas representamos milhares, reunidos hoje no 3º Encontro de Povos Tradicionais do RS em Rio Pardo, tendo como palco o Rincão dos Negros, Quilombo histórico de tantas lutas e resistências. Quilombolas do Rincão dos Negros, Quilombo da Cruz Alta, Quilombo dos Alpes, Povo Indígena Guarani e Kaingang vindos de várias regiões do estado e representando as lutas dos Povos Tradicionais do Estado e também do Brasil estiveram reunidos refletindo suas lutas, com apoio da Comissão Pastoral da Terra-CPT, da Ação Social Diocesana de Santa Cruz do Sul-ASDISC, do Conselho Indigenista Missionário-CIMI e da Cáritas RS.
Nossas conquistas não são muitas, mas foram suadas e significativas e temos a consciência de que precisamos preservá-las e aprimorá-las, a começar pela democracia e a constituição de 1988 onde consta leis significativas de defesa dos direitos do povo. O Selo Quilombola, Federação Quilombola, Articulação dos Povos Tradicionais, Conselho de Articulação dos Guaranis e Kaingangs, o reconhecimento de alguns territórios quilombolas e alguns projetos pontuais nos dão coragem e ânimo.
Já as dificuldades e desafios são muitos, porém, não nos assusta, temos energia e força para enfrenta-los, mas para isso precisamos nos unir cada vez mais. Em particular algumas dificuldades nos ameaçam: O Projeto de Lei RS nº31 que quer derrubar direitos de reconhecimento de território dos povos de nosso estado, a PEC 215 que transfere a competência da demarcação de terras indígenas da União para o Congresso, outra dificuldade sentida é a morosidade no processo de demarcação de áreas, o descaso com os povos indígenas, a permanente discriminação que sofrem cotidianamente indígenas e quilombolas, além disso a permanente e diária criminalização dos Movimentos Sociais por parte da grande mídia brasileira. Reunidos lembramos das dificuldades de ter acesso aos direitos fundamentais previstos na Constituição de 1988 como: saúde, moradia, educação, terra, lembramos também das situações de emergência sofrido por nosso povo nos temporais dos últimos meses, como foi o caso dos Quilombolas da Comunidade de Cruz Alta município de Rio Pardo que tiveram muitas casas com telhados destruídos, mas também não poderíamos deixar de lembrar das quatro crianças Kaingangs da Aldeia Bom Retiro, que foram mortas em acidente esperando ônibus para ir para escola.
Dar as mãos, caminhar juntos e nos unirmos ainda mais, Indígenas e quilombolas, é a única forma de enfrentarmos as dificuldades para avançarmos na luta ainda mais. Mas precisamos agregar pequenos agricultores, catadores, pescadores e todo o povo que está do nosso lado para a luta ficar mais forte. Queremos reafirmar a importância dos encontros já marcando para dia 09 de abril de 2016 um encontro estadual com local a definir, e reafirmar a importante agenda de lutas que se inicia com a 39ªRomaria da Terra no dia 9 de fevereiro em São Gabriel e o Acampamento do Povo Indígena.
Através desta carta manifestamos nossa profunda indignação e repúdio aos projetos de lei que tiram direitos dos Povos Tradicionais, como os projetos de Lei PL 31 e a PEC 215.
Participantes do 3ºEncontro de Comunidades Tradicionais,
Quilombo Rincão dos Negros de Rio Pardo-RS, 24 de outubro de 2015.

Imagens: arquivos CPT-RS

segunda-feira, 11 de maio de 2015

Comissão Pastoral da Terra - RS e CIMI-Sul discutem a Reforma Agraria como fator para superação das desigualdades sociais

A Comissão Pastoral da Terra – CPT/ RS juntamente com o Conselho Indigenista Missionário - Regional Sul, promove no dia 08 de junho de 2015 Seminário Estadual Igreja e Reforma Agraria com objetivo de discutir a importância da questão agrária “como fator para superação das desigualdades sociais”. 
Lembrando papa Francisco aos movimentos populares, em outubro/2014, quando o pontífice recorreu à Doutrina Social da Igreja e afirmou que “a reforma agrária torna-se por conseguinte, além de uma necessidade política, uma obrigação moral”; o Seminário torna- se ocasião de representantes de movimentos sociais e entidades que atuam na mobilização pela reforma agrária aprofundarem interpretações, debaterem propostas para enfrentar os desafios econômicos e sociais do campo e consolidar, espaços de debate e diálogo sobre os direitos dos povos indígenas, quilombolas e dos pequenos agricultores no Rio Grande do Sul.
O encontro também conta com a parceria da Escola Superior de Teologia Franciscana – ESTEF.  

Programação:
8h – Credenciamento
8h30 - Abertura – realizada pelo povo indígena 
9h – Roda de Conversa
Mediadores: Comissão Pastoral da Terra e CIMI Sul
“A posição da Igreja quanto a Reforma Agraria a partir do Doc. 101 CNBB” – Wilson Dalagnol
“A presença feminina na construção da reforma agraria” – Movimento de Mulheres Camponesas
“Os desafios para o diálogo com os segmentos afetados pelas demarcações de terras indígenas e quilombolas” – Sergio Görgen
“Celebrar os frutos da Reforma Agraria” - Antonio  Prestes Braga, Agroecologo – MST
“O direito à Reforma Agraria” – Jacques Affonsin
“As Comunidades Indígenas e Quilombolas na luta pela Reforma Agraria.” CIMI
12h – intervalo para almoço
13h30 – Compromissos diante dessa realidade e partilha de propostas
17h encerramento – realizado pelo povo quilombola

INCRIÇÕES: cptdors@gmail.com ou cptrs@portweb.com.br
LOCAL: ESTEF - Rua Tomás Edson, 212 - Partenon, Porto Alegre, Rio Grande do Sul
INFORMAÇÕES:  www.cptdors.blogspot.com.br