terça-feira, 10 de janeiro de 2017

Palavra do Arcebispo de Passo Fundo

BEM VINDOS E BEM VINDAS À 40ª ROMARIA DA TERRA
Dom Rodolfo Luís Weber - Arcebispo de Passo Fundo

A Arquidiocese de Passo Fundo acolhe calorosamente todos os romeiros e romeiras para a 40ª Romaria da Terra. A presença de vocês será uma alegria e uma bênção para nós. Muitas pessoas estão envolvidas no processo preparatório para que os objetivos da romaria sejam alcançados e todos se sintam bem.
São quarenta anos de romarias da terra. Já é um longo caminho percorrido. É necessário olhar para trás com um olhar de gratidão para ver o que está germinando, crescendo e também para colher os frutos. Mostrar, visibilizar esta caminhada é importante para toda a sociedade. Quarenta anos de romarias é também uma provocação para olhar criticamente o caminho percorrido. Alegrar-se com os acertos, festejar as vitórias e assumir a responsabilidade dos erros. Uma justa avaliação permite projetar o futuro.
 A romaria como tal é expressão de uma realidade mais ampla, a questão da terra. Toda análise verdadeira do desenvolvimento histórico do mundo destacará a relevância da destinação da terra e seu uso. Visões diferentes de contrapõem, em muitas ocasiões, de forma conflitiva, até violenta. A Doutrina Social da Igreja Católica relaciona diretamente o bem comum com a destinação universal dos bens. “Deus deu a terra a todo gênero humano, para que ela sustente todos os seus membros sem excluir nem privilegiar ninguém. Está aqui a raiz do destino universal dos bens da terra” (nº 171). 
O lema “Terra de Deus, Terra de Irmãos” será um norte. A terra foi dada a todas as criaturas como um dom, um presente para o seu sustento e a geração da vida. Ninguém de nós é capaz de criar do nada um palmo de terra, mas somos capazes para cuidar, plantar e usar a terra. Se pensarmos bem, só conseguimos usar a terra porque existem todas as condições para fazermos isto: o solo, a luz, o calor, a água, as sementes. A nossa parte é corrigir o solo, plantar na época certa, escolher as melhores sementes e fazer as colheitas. Com São Francisco rezamos como ele rezou no seu “Cântico às Criaturas”: “Louvado sejas meu Senhor, por nossa irmã e mãe terra que nos sustenta e governa e produz frutos diversos e coloridas flores e ervas”.
Invocamos as bênçãos de Deus para que ele nos guie e ilumine no processo preparatório da 40ª Romaria da Terra, mas particularmente na sua realização. Que os nossos sentimentos e pensamentos, palavras e ações sejam reflexo da sua vontade e de seu projeto de vida sobre a destinação da terra e seu uso.
Também pedimos a intercessão, da Mãe de Deus e nossa mãe, Nossa Senhora Aparecida, padroeira da Arquidiocese de Passo Fundo, que nos ajude a compreender a vontade de seu Filho Jesus, nosso Senhor e libertador, para fazermos tudo o que Ele nos disser.

40 Anos de Romarias da Terra no RS: Anonni, símbolo de uma conquista

Prezados/as romeiros/as da terra!
É a 40ª vez que deixamos nossos lares, nossas comunidades, nosso chão para partir em Romaria. É o santuário da terra que nos atrai. É Deus Pai Criador que nos envia e nos convoca. Ele deseja que os pequenos e humildes se unam numa só causa e num só caminhar em prol da justiça. 
São 40 anos de Romarias da Terra. Alcançamos a plena maturidade. Somente o que está próximo e íntimo do Projeto de Deus e da vida do seu Povo é que tem vida longa. Depois de 40 anos, continuamos sendo um ponto de união e celebração dos povos da terra rio-grandense. 
Os motivos que dão vida longa à Romaria da Terra: Estar no Plano do Deus libertador; seguir a inspiração divina e a sensibilidade de seu Povo; unir fé militante e causa social; inspirar-se na força do Espírito Santo transformador; trabalhar e refletir as causas pertinentes do Povo de Deus; acreditar firmemente na juventude; resgatar valores e culturas autóctones; acreditar e construir um projeto que seja bom para todos os filhos de Deus; ser coerente com as necessidades do povo da terra e o trabalho da CPT; ter a sensibilidade solidária com os simples e oprimidos do campo e com suas causas; somos parte integrante das lutas sociais e populares.
Vamos voltar à Fazenda Anonni. Ali está um símbolo da luta, da organização e da fé de um Povo que não se intimida diante dos poderes deste mundo. Ali perto está também o símbolo da Encruzilhada Natalino. Ali estão os assentamentos da Reforma Agrária. Ali estão comunidades, cooperativas, produção agroecológica, organização, administrações populares e participativas...
A 40ª Romaria da Terra é um acontecimento alternativo ao Carnaval. Temos muito a ver, ouvir, conhecer, apalpar, celebrar, comemorar... É hora de reinventar o caminho. 
Venha romeiro e romeira da terra! O santuário da terra é a FAZENDA ANONNI, aliás, foi! Agora é o ASSENTAMENTO FAZENDA ANONNI. 
VIVA A 40ª ROMARIA DA TERRA! 
VIVA O ROMEIRO E A ROMEIRA DA TERRA!

Clique na imagem para ampliar o cartaz.

sábado, 17 de dezembro de 2016

Irmão Antônio Cechin: a estrela de Belém, o lunar de Sepé

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“Alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém, e perguntaram: ‘Onde está o recém-nascido rei dos judeus? Nós vimos a sua estrela no Oriente, e viemos para prestar-lhe homenagem’. E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até que parou sobre o lugar onde estava o menino. Ao verem de novo a estrela, os magos ficaram radiantes de alegria. Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe” (Mateus 2. 2, 9-11).

Neste tempo de celebrações do Natal, muito se recorda a passagem bíblica da chamada estrela de Belém, que foi vista pelos magos no Oriente e que os conduziu ao lugar onde estava o recém-nascido, o Menino Deus, em Belém, na Judeia, conforme relata o Evangelho segundo São Mateus 2. 1-12. E aqui no Sul temos “O Lunar de Sepé”, contada na forma de verso em Contos Gauchescos, por Simões Lopes Neto. No caso da estrela de Belém, ela conduziu os magos no caminho que os levou ao Menino Jesus, considerando os devidos cuidados diante das más intenções do rei Herodes. E o lunar de Sepé foi um sinal no semblante do índio Guarani, Sepé Tiarajú, que conduzia seu povo na luta contra as “armas de Castela / que vinham do mar de além” e em defesa e preservação da terra missioneira. O lunar de Sepé para os Guarani representava um sinal da presença de Deus. Mas, para seus inimigos, como foi com Herodes, no tempo do nascimento de Jesus, era o sinal a perseguir para combater o projeto de Deus. Após a morte de Sepé, o lunar continua resplandecendo, só que agora no céu, como um sinal de luz a guiar o povo Guarani e a quem acredita e luta pela terra sem males.

Então, Sepé foi erguido
Pela mão de Deus-Senhor,
Que lhe marcara na testa
O sinal do seu penhor!
O corpo, ficou na terra...
A alma, subiu em flor!...

E, subindo para as nuvens,
Mandou aos povos benção!
Que mandava o Deus-Senhor
Por meio do seu clarão...
E o lunar na sua testa
Tomou no céu posição...

Nos tempos atuais, onde se manifesta a estrela de Belém e onde brilha o lunar de Sepé? Acredito que são a mesma fonte de luz que não podemos tocar com as mãos nem fixar sobre ela nosso olhar. Uma fonte de luz que está em muitos lugares e brilha no exemplo de vida de muitas pessoas. A estrela de Belém e o lunar de Sepé são vidas humanas que nos mostram o projeto de Deus. Pessoas que são como “o sal da terra” e “a luz do mundo” (cf. Mateus 5. 13-14).
É, pois, assim que hoje posso definir a vida de Irmão Antônio Cechin.
No lugar que Cristo lhe preparou, agora brilha como uma estrela que conduz o mundo pelos caminhos da justiça e da paz, do amor e do bem viver, na luta pela terra sem males. Sua vida é mais que uma trajetória de começo, meio e fim. É uma vida que permanece viva e impulsiona nosso viver. A história que iniciou no nascimento de uma criança, em 17 de junho de 1927, não termina com a morte de um homem aos 89 anos, no dia 16 de novembro de 2016. Irmão Antônio Cechin é uma vida que revigora nossos sonhos, fortalece nossas esperanças e resgata nossa humanidade. Portanto, continua vivo, presente.
Sua vida é uma caminhada de fé, amor e respeito aos índios, catadores, camponeses, sem-terra, desempregados e todos os pobres e a natureza. Irmão Cechin sempre será lembrado como um discípulo de Cristo que viveu o Evangelho como palavra de Deus na língua humana de todas as culturas, como presença e história de Deus na história dos povos.
E, como disse Bertolt Brecht sobre as pessoas que lutam: “Há aqueles que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis”. Irmão Antônio Cechin está entre homens e mulheres que são imprescindíveis, não somente pelo bom resultado de sua luta, mas porque sua vida impulsiona outras pessoas a seguirem lutando.
E pela analogia, que aqui procuro fazer, da vida de Antônio Cechin com a estrela de Belém e o lunar de Sepé, quero dizer que este ser humano imprescindível, nosso irmão de fé, nosso companheiro de lutas, é, sem dúvida, um facho de luz que continua a clarear nossos passos, um farol que segue a nos mostrar o caminho. 
Reverendo Pilato Pereira - IEAB
  
Porto Alegre, 16 de dezembro de 2016,

Um mês da morte de Irmão Antônio Cechin

terça-feira, 4 de outubro de 2016

A Igreja e os pequenos agricultores

POR UMA NOVA PRIMAVERA DAS IGREJAS - A Igreja e os pequenos agricultores
por Dom Orlando Dotti
A Mater et Magistra, a encíclica que mais longamente aborda o tema da agricultura, em seu número 144 afirma: “Estamos persuadidos de que, em matéria de agricultura, os principais agentes e promotores do desenvolvimento econômico, da elevação cultural e do progresso social devem ser os diretamente interessados, isto é, os próprios agricultores”. Doutro lado, a Gaudiam et Spes, no número 66, assim se expressa: “Tendo em conta as especiais dificuldades da agricultura em muitas regiões, quer na produção, quer na comercialização dos produtos, é preciso ajudar os agricultores, no aumento e na venda da produção, na introdução das necessárias transformações e inovações e na obtenção de um justo rendimento; para que não continuem a ser, como muitas vezes acontece, cidadãos de segunda categoria”.  
Ambos os textos afirmam a mesma coisa: o agricultor deve ser o protagonista de sua própria ascensão social e de suas organizações. Diante disso, torna-se imperativo perguntar: “Qual o papel da Igreja juntos aos pequenos agricultores?” Vamos tentar responder por partes.
Pelo que consta, os primórdios do cristianismo tiveram sua base nas periferias das grandes cidades. Os moradores do interior, dos “pagos”, também chamados de “pagani”, eram os nãos cristãos: os pagãos. Mais tarde, os papéis se inverteram, e a Igreja teve, prevalentemente, um rosto rural.
Isso também aconteceu no Rio Grande do Sul, de modo especial, desde a imigração no século XIX. As cooperativas de crédito, fundadas pelo Pe. Amstadt vigoraram entre os pequenos agricultores. À sombra das pequenas capelas do interior, surgiram e se consolidaram as organizações agrícolas. Duas entidades de Igreja, a FAG e a Pastoral da Terra, foram decisivas na fundação dos sindicatos, cooperativas, associações e ONGs rurais. 
Dentro desse processo histórico, que papel jogou e joga a Igreja junto às entidades de classe e às associações de produção dos agricultores? 
Esmiuçadamente, tentaremos responder a essa pergunta. A Igreja ofereceu seu espaço físico para as reuniões dos agricultores. Foi nos salões do interior e das sedes paroquiais que a agricultura familiar encontrou sua guarida. Espaço gentilmente oferecido e bem aproveitado pelos agricultores. 
Em segundo lugar, a Igreja ofereceu e oferece pessoas para estarem junto aos agricultores: padres, pastores, agentes de pastoral, técnicos,... A força de credibilidade da Igreja passou aos agricultores. Nesse trabalho todo, nossas igrejas sempre valorizaram mais o processo do que o resultado, evitando o imediatismo e a improvisação.
Mais que tudo isso, a Igreja ofereceu aos agricultores “uma cesta básica” de princípios e de valores, como orientativos em sua ação. O próprio agricultor sempre foi fiel seguidor da Igreja, acatando suas orientações e a iluminação bíblica que vem dela. A fé sempre foi sua lei e norma de vida. A partir disso, não foi difícil dar-lhe a conhecer e a viver a grande verdade de que o agricultor é alguém que goza plenamente da dignidade de pessoa humana e, por isso mesmo, merecedor de todo apreço, estima e atenção. O agricultor é plenamente cidadão como todos os demais, e não rebaixado, como muitos quereriam, a uma segunda categoria. 
Depois disso, a Igreja procurou e procura sensibilizar o agricultor para a solidariedade. “Juntos somos mais”. Todas as organizações sociais têm sua raiz na solidariedade, contra o capitalismo selvagem que privilegia o individualismo. 
A participação é outro princípio muito em voga, hoje. Estende-se à atividade social e política do agricultor. Participar é sinal de compromisso com o bem-comum.
O princípio de subsidiariedade deve ser tomado muito em conta por parte dos agentes de pastorais. Nunca tirar a vez do agricultor. Estar pronto para ajudá-lo, sem nunca substituí-lo. Quando o agricultor não tem nada a dizer, é melhor fazer silêncio do que falar por ele. Creio que um outro papel da Igreja é ser instância crítica junto às organizações rurais. Há sempre a possibilidade de descaminhos na organização social, que se manifestam quando se deixa de lado o bem-comum para atender os interesses pessoais. Diante disso, a voz da Igreja não pode se calar. A profecia não pode morrer. 
As Romarias da Terra, do norte ao sul do país, têm a finalidade de congregar os agricultores, pôr em comum seus problemas, discuti-los e projetar uma vida melhor para todos, enfocando a cada ano novos temas, com novos protagonistas e nova simbologia. 
As Romarias da Terra constituem-se em presença qualificada da Igreja junto à multidão dos agricultores que delas participam e que lutam por mais vida, qualidade de vida e cidadania. 
*Bispo Emérito de Vacaria e Fundador da Comissão Pastoral da Terra. Acompanha desde o inicio a Comissão Pastoral da Terra do RS, hoje como Conselheiro.
(texto escrito para a 36ª. Romaria da Terra do Rio Grande do Sul)

Combate aos Impactos dos Agrotóxico

No último dia 21 de setembro em Encantado - RS aconteceu Audiência Pública do Fórum Gaúcho de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos para debater e propor encaminhamentos a respeito do uso abusivo de agrotóxicos e seus efeitos no meio ambiente e saúde dos consumidores de 34 municípios do Vale do Taquari. 

A Comissão Pastoral da Terra - CPT /RS junto com a Articulação De Agroecologia Do Vale Do Taquari -Aavt auxiliaram na organização do encontro se manifestaram em defesa das sementes crioulas e da agroecologia como forma de combater o uso abusivo de agrotóxicos e demostraram preocupação com a contaminação e extermínio das sementes crioulas pelas sementes transgênicas e o pelo uso indiscriminado dos agrotóxicos . "Quem vai garantir o direito dos agricultores de cultivar sementes sadias?"

Além da presença dos agricultores e das agricultoras, e de consumidores, o encontro contou com representantes de órgãos públicos, associações civis, estabelecimentos de saúde, conselhos, universidades e movimentos sociais.

A Audiência foi uma reivindicação dos agricultores e agricultoras da região do Vale do Taquari, que vem sofrendo com a morte de abelhas e perdendo a produção em virtude do uso abusivo de agrotóxicos por alguns grandes produtores da região.

Texto enviado por CPT-RS
Fotos: Articulação De Agroecologia Do Vale Do Taquari - Aavt

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Grito dos Excluídos 2016

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NOTA PÚBLICA - Democracia golpeada, Povo em luta!

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"Mas o golpe está só no começo. Esta elite exige um pacote de reformas que serão o verdadeiro golpe aos direitos sociais e trabalhistas. O discurso de Temer, ao assumir a efetividade da presidência, deixou claro a que veio, qual seu projeto, a quem serve". Confira Nota Pública divulgada pela diretoria e coordenação executiva nacional da CPT sobre o golpe contra a democracia no Brasil:



A Diretoria e a Coordenação Executiva Nacional da Comissão Pastoral da Terra, no decorrer dos últimos meses mais de uma vez se manifestou sobre a crise política que o país vive. Hoje com o desfecho final do processo de afastamento da presidenta Dilma volta a se manifestar.

Efetivou-se o golpe e a vergonhosa anulação do povo no seu direito de ser governado por quem ele escolheu. Interrompeu-se a democracia com doses agudas de cinismo e traição. Instaurou-se um regime de exceção não declarado, que faz temer pelo futuro.

A CPT sempre se manifestou criticamente em relação aos últimos governos e seus muitos erros e poucos acertos, e por terem se rendido ao jogo das barganhas escusas entre políticos profissionais e empresários. Com isso não responderam aos anseios e necessidades mais profundas da população, por participação e direitos, como prometeram. Em especial os camponeses e camponesas, os sem-terra e, sobretudo, os povos indígenas, os quilombolas e outras comunidades tradicionais, foram preteridos no balcão dos negócios em que se chafurdou a política.

Mas o desfecho do processo é uma afronta à democracia. O fato de os senadores terem votado por manter os direitos políticos da presidenta afastada, deixa claro sua incoerência. Só queriam seu lugar por razões políticas inconfessas, mas que todos sabem. Foi impedida uma presidenta que não praticou crime de responsabilidade comprovado.

Na verdade o que se viu não foi um julgamento, mas o cumprimento de um rito formal e vazio de sentido democrático. O destino de Dilma Rousseff já havia sido acertado entre perdedores das últimas eleições e ex-governistas traidores. A elite empresarial e financeira que deu suporte ao processo cobrou a fatura ao Congresso Nacional. Incapaz de chegar ao poder pela via eleitoral, assalta-o pelo golpe, num monumental e reincidente desprezo pelo povo, o eleitor. Formalidades cumpridas, não se poderia classificar o ato como golpe, é o que tentam fazer o povo crer.

Mas o golpe está só no começo. Esta elite exige um pacote de reformas que serão o verdadeiro golpe aos direitos sociais e trabalhistas. O discurso de Temer, ao assumir a efetividade da presidência, deixou claro a que veio, qual seu projeto, a quem serve.

São três os principais golpes que afetam diretamente a vida do povo.

Reformas no direito do trabalho, com prevalência dos acordos entre patrão e empregado sobre a legislação trabalhista e favorecimentoda terceirização de atividades, aposentando a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Reformas na previdência ampliando a idade mínima para aposentadoria e desvinculando do salário mínimo o reajuste da mesma E o golpe, tanto ou mais grave que os acima citados contra a Constituição, como propõe a PEC 241 de congelar o investimento público por 20 anos, atingindo gastos com educação, saúde e programas sociais.

Ademais, ao sacrificar novamente as populações do campo e das florestas, plantando divisão entre os movimentos camponeses para enfraquecê-los, anuncia-se uma reforma agrária cosmética, para facilitar a entrega de terras a estrangeiros e internacionalizar ainda mais o agronegócio. E para impor as reformas e reprimir resistências, criminalização e violência contra os movimentos e ativistas sociais, como já está acontecendo.

Se são tempos escuros os que vivemos, mais ainda os que virão no futuro próximo. Mas fazemos nossas as candentes palavras do antropólogo Carlos Rodrigues Brandão: “Essa hora é escura, mas é agora o momento de contra o escuro acender as luzes claras de nome esperança, e do chão levantar e se erguer”. Essa é a hora das ruas, praças e estradas do país, da luta e da resistência a se “somar com a ternura, a coragem e o sentido, o valor e o sabor” de quem sabe que a História é o povo quem faz, com festa, mesa partilhada, música e dança, mas também com lágrimas, suor e sangue, quando é preciso. “A hora é agora. Vamos juntos recriar a vida e da vida ... expulsar o medo, transformar o mundo”.

O IV Congresso Nacional que a CPT realizou no ano passado em Rondônia tinha como lema “FAZ ESCURO, MAS EU CANTO”, verso do poeta Thiago de Mello. Hoje, apesar de tudo cantamos, pois acreditamos que é da planície, das lutas do povo do campo da cidade, e não do Planalto que virão as mudanças que o Brasil continua a precisar.

Goiânia, 02 de setembro de 2016,

Semana da Pátria.

A Diretoria e Coordenação Executiva Nacional da Comissão Pastoral da Terra 

Mais Informações:
Cristiane Passos (62) 4008-6406 / 99307-4305
Antônio Canuto – (62) 4008-6412