terça-feira, 2 de junho de 2020

Carta da 43ª Romaria da Terra do RS


Carta da 43ª Romaria da Terra do Rio Grande do Sul ao povo das comunidades
“São 43 anos de Romarias da Terra. Percorremos muitos caminhos. Iniciamos inspirados por mulheres e homens, mártires no campo e na cidade”, afirma o documento final da Romaria, que denuncia “a injustiça do governo federal de acobertar a invasão das Terras Indígenas no Brasil, bem como nosso repúdio à usina de mineração, prevista para os municípios de Eldorado do Sul e Charqueadas”. Confira a Carta na íntegra:

O Bem Viver no Campo e na Cidade

“Dá-me de beber” (Jo 4,7)

Nós, romeiras e romeiros, discípulos missionários de Jesus Cristo, presentes na 43ª Romaria da Terra, neste dia 25 de fevereiro de 2020, no município Mormaço/RS, saudamos a todas pessoas de boa vontade e partilhamos o que vivenciamos neste dia marcante de celebração e esperança.

São 43 anos de Romarias da Terra. Percorremos muitos caminhos. Iniciamos inspirados por mulheres e homens, mártires no campo e na cidade, como o Servo de Deus, Índio Sepé Tiaraju e os 1500 irmãos índios mortos na batalha dos Sete Povos, desde o coração do Rio Grande, marcado pela injustiça do latifúndio e dos venenos. Somos o Povo de Deus profético, a Igreja com os pés na história e os olhos em busca da Terra Prometida.

Com a CPT/RS, a Diocese de Cruz Alta, a Paróquia Nossa Senhora dos Navegantes e o Poder Público, de Mormaço, fizemos uma linda caminhada construtiva e participada de organização da Romaria da Terra. O tema – “O Bem Viver no campo e na cidade” – foi escolhido porque: a) é grande o clamor de nosso povo por vida e saúde, diante do uso irresponsável e indiscriminado de agrotóxicos; b) aumentam as doenças pelo consumo de alimentos envenenados; c) queremos cuidar da água e do bem viver dos mais pobres e de todas as pessoas; d) é urgente cuidar de nossa Casa Comum. O nosso lema: “Dá-me de beber” (Jo 4,7), como a samaritana, inspira a buscar o sentido da vida que realmente nos faz “bem viver”, começando pela verdadeira fonte.

Nesta 43ª Romaria da Terra, desde o momento que saímos de casa, com nossas caravanas, na recepção, na caminhada silenciosa e sugestiva de quatro cenários, na Celebração Eucarística, nas oficinas, na convivência, nas partilhas, com vigor e profecia...

DENUNCIAMOS:
- a injustiça do governo federal de acobertar a invasão das Terras Indígenas no Brasil, bem como nosso repúdio à usina de mineração, prevista para os municípios de Eldorado do Sul e Charqueadas;
- toda forma de violência, especialmente contra as mulheres, que aumenta assustadoramente;
- o uso indevido de venenos na agricultura, com a liberação de 474 tipos de agrotóxicos, pelo Governo Federal, somente em 2019;
- os cortes de verbas públicas para educação, bem como a privatização e militarização da educação;
- a ideologia da meritocracia que discrimina os menos favorecidos;
- os falsos profetas que usam as fake news, fazendo condenações infundadas e sem a devida investigação e punição

ANUNCIAMOS:
- a Reforma Agrária e o alimento saudável, indispensáveis ao Bem Viver;
- a Romaria da Terra é o encontro dos pobres que se organizam;
- a partilha, o comunitário e o amor constroem o Bem Viver;
- a paz, fruto da justiça social, gera a sadia convivência e o Bem Viver;
- a agricultura familiar, a economia solidária e as feiras ecológicas são caminhos do Bem Viver;
- a agroecologia e as sementes crioulas são nossas bandeiras permanentes;
- a produção e consumo de alimentos agroecológicos e orgânicos são indispensáveis ao Bem Viver;
- o índio Sepé Tiaraju é sempre nosso inspirador e mártir na luta pelo Bem Viver;
- os jovens organizados e conscientes são sinais e esperança do Bem Viver;
- as mulheres são protagonistas da vida e da esperança;
- os índios e negros exigem respeito e direitos iguais.

“Nenhuma FAMÍLIA SEM CASA;
Nenhum CAMPONÊS SEM TERRA;
Nenhum TRABALHADOR SEM DIREITOS”
(Papa Francisco)

Mormaço, 25 de fevereiro de 2020

Comissão Pastoral da Terra / RS - Diocese de Cruz Alta

Conferência Nacional dos Bispos do Brasil - Regional Sul III

Fonte: CPT Nacional

Crédito fotos: Equipe de Comunicação da 43ª Romaria da Terra do RS

Publicado: 03 Março 2020

segunda-feira, 4 de março de 2019

42ª Romaria da Terra RS Diocese de Uruguaiana

A 42ª edição da Romaria da Terra acontecerá em Itacurubi, no dia 5 de março de 2019, organizada pela Diocese de Uruguaiana. A romaria é popular e profética. A terra é um lugar sagrado, feito com todo carinho por Deus, a fim de ser o nosso chão firme, onde firmamos nossos pés, e de onde tiramos o indispensável para viver: alimento, abrigo, saúde, felicidade. É um bem natural, que pertence a todos.

A romaria é itinerante e acontece cada ano em uma localidade, e será a primeira vez que ela acontece no município de Itacurubi. A diocese de Uruguaiana coordena o evento junto com a CPT-RS (Comissão Pastoral da Terra do Rio Grande do Sul), para que no dia da romaria tudo aconteça da melhor maneira possível para os participantes presentes, onde o principal objetivo é adorar a Deus.

O tema da 42ª Romaria da Terra é a alimentação saudável, visando a melhora nos hábitos alimentares das pessoas. Uma alimentação mais balanceada é um cuidado a mais com nosso corpo, que é templo do Espirito Santo. E também focando na vontade de Jesus Cristo, “Que todos tenham vida Jo 10,10”.

A pequena cidade de Itacurubi se prepara com muito carinho para receber todos com muita gratidão. A Diocese de Uruguaiana irá apresentar diversas matérias curiosas sobre a romaria até o dia do evento, contando um pouco desses 40 anos de história dessa caminhada de fé.


quarta-feira, 11 de outubro de 2017

Mampituba vai receber a 41ª Romaria da Terra

A 41ª Romaria da Terra do RS acontecerá no dia 13 de fevereiro de 2018 (terça-feira de carnaval), sendo escolhido como local a comunidade de Rio de Dentro, no município de Mampituba.

Nos dias que antecedem a Romaria, 11 e 12 de fevereiro acontecerá o 13º Acampamento da Juventude no mesmo local.

O tema escolhido para a edição de 2018, pela primeira vez, nos 40 anos de história das Romarias, coloca em primeiro plano a relação das mulheres com a terra, suas causas, lutas por espaço, igualdade de gênero, denúncias de violências contra as mulheres e histórias de vida e superação com o tema “Mulheres Terra: resistência, cuidado e diversidade”.

O evento está sendo organizado desde o mês de maio por representantes da Comissão Pastoral da Terra do Rio Grande do Sul (CPT-RS), da CNBB Regional Sul III e da Diocese de Osório que, em reuniões ampliadas, debatem sobre a atual situação da mulher na luta por seus direitos, pela igualdade de gênero, por melhores condições de trabalho no campo e na cidade, na garantia do alimento saudável e nas questões agrárias da região e do país e, ainda, planejam os momentos que farão parte do encontro e definem as equipes de serviço.

Não perca! Organize a sua caravana e venha para a 41ª Romaria da Terra do RS.
A Diocese do Litoral Norte gaúcho te espera!

sábado, 11 de março de 2017

CPT RS tem novo endereço

Segue carta da Coordenação da CPT | RS informando a mudança de endereço.

Queridas Companheiras e Queridos Companheiros, nossa saudação!
Informamos que a Comissão Pastoral da Terra do Rio Grande do Sul - CPT | RS está em novo endereço.
Nossa secretaria estadual está agora localizada junto ao Convento dos Capuchinhos no Bairro Santo Antônio em Porto Alegre.

A correspondência, deve ser remetida para:
Rua Paulino Chaves, 291 Santo Antônio - Porto Alegre / RS - CEP 90640-200.
O contato à partir de agora deve ser feito com Frei Wilson Dallagnol (51) 9 9991 1668  e Maurício Queiroz (51) 9 9699 3640, membros da equipe de coordenação e pessoas referência da CPT- RS.
O telefone institucional permanece o mesmo (51) 3344 4415, bem como o e-mail: cptdors@gmail.com

Ainda estamos organizando o espaço da secretaria no novo endereço e cuidando de algumas questões técnicas, mas desde já fica o convite para nos visitarem.

Queremos registrar aqui nossa gratidão a Congregação dos Missionários da Sagrada Família sua gratuidade e generosidade em acolher por mais de vinte anos nossa secretaria estadual.
Também, registramos nossa alegria em poder contar com a fraternidade e solidariedade dos Capuchinhos em nos acolher.

Desde sua criação a CPT conta com a solidariedade de parcerias como essas que tem nos possibilitado ser presença profética e solidária junto aos povos da Terra do Rio Grande do Sul.

Nosso abraço e prece a todos e todas.
Caminhamos, juntos, por Terra, Vida e Dignidade.

Att.
COMISSÃO PASTORAL DA TERRA - CPT | RS
fone (51) 3344 4415
e-mail: cptdors@gmail.com
Rua Paulino Chaves, 291, Santo Antônio - Porto Alegre / RS - CEP 90640-200

terça-feira, 7 de fevereiro de 2017

Campanha da Fraternidade de 2017 trata do cuidado dos biomas brasileiros

A Campanha da Fraternidade de 2017 aborda o tema: “Fraternidade: biomas brasileiros e defesa da vida”, tendo como lema “Cultivar e guardar a Criação”.



A Campanha da Fraternidade é marcada pelo empenho de todos em favor da solidariedade e fraternidade, sempre abordando temas atuais, que a cada ano propõe uma transformação social e comunitária, seja ela em desafios sociais, econômicos, culturais e até mesmo religiosos, onde toda a população envolvida na Campanha da Fraternidade é convidada a ver, julgar e agir.
A Campanha da Fraternidade sempre começa na quarta-feira de cinzas e acontece durante o ano todo, mas se desenvolve com mais empenho durante o tempo da Quaresma. É verdade que muitas pessoas acham que ela termina depois da Páscoa, mas não, como dissemos, ela dura até o fim do ano, junto com o Ano Litúrgico, onde são desenvolvidas diversas atividades pastorais. Em 2017, o desafio é aprofundar o tema da Criação, despertando para o cuidado dos biomas brasileiros. É, pois, a partir de cada bioma que podemos cultivar e guardar a Criação de Deus.

terça-feira, 10 de janeiro de 2017

ORAÇÃO DA 40ª ROMARIA DA TERRA

Deus Pai, / criador de todos os bens da natureza, / da Mãe Terra; 
cremos que a terra é lugar e fonte de vida; / cremos na terra da libertação, / da fartura e da abundância, / da partilha, da igualdade e da justiça. / Estamos vivendo a 40ª Romaria da Terra. / Com alegria, te rendemos graças / porque criastes a terra, como mãe, / lugar de morar e viver, / plantar, colher, amar...
Ó Pai, queremos elevar até vós / o clamor de tantos Sem Terra, / indígenas e quilombolas, / jovens e mulheres, / agricultores e ecologistas... / que gritam por dignidade, / justiça e direitos.
Ó Deus da vida, / nestes quarenta anos de Romarias da Terra, / no Rio Grande do Sul, / tivemos muitas conquistas / em favor da vida e dos direitos do Povo. / Queremos Te agradecer / por tantos irmãos e irmãs / que resistiram na luta pela terra e na terra, / fazendo da terra lugar de trabalho e resistência. 
Ó Deus da vida e Senhor da história, / o sonho de Teu Povo / é que a terra seja partilhada / e repartida entre todos. / Estamos renovando, hoje, / nosso propósito de continuar lutando / por uma “terra sem males” / e por um mundo mais justo e fraterno. 
Senhor, que a 40ª Romaria da Terra / nos conscientize a cuidar da terra e da água, / como bens preciosos; que os Santos Mártires da Terra, / especialmente Sepé Tiaraju e Rose, / intercedam por nós / e nos ajudem a alimentar nossa utopia / e nossa sonho da Reforma Agrária. 
Ó Deus da vida e Senhor do universo, / continuamos acreditando e lutando / pela “Terra de Deus como terra de irmãos”!
Amém! Axé! Awere! Aleluia!

Romaria da Terra

Vem aí a 40ª Romaria da Terra do Rio Grande do SuL

No dia 28 de fevereiro de 2017, a Fazenda Anonni – primeira ocupação brasileira de famílias organizadas dentro do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra, receberá milhares de romeiros para a 40ª Romaria da Terra do Rio Grande do Sul, na Paróquia Santo Antão em Pontão na Área Pastoral de Sarandi na Arquidiocese de Passo Fundo A edição comemorativa do evento, que acontece sempre na terça-feira de Carnaval por ocasião do aniversário de morte de Sepé Tiaraju, será norteada pelo tema “Romaria da Terra: 40 anos de luta e memória das conquistas” e pelo lema “Terra de Deus, terra de irmãos”.

O evento está sendo organizado desde o mês de maio por representantes da Comissão Pastoral da Terra do Rio Grande do Sul (CPT-RS), da CNBB Regional Sul III, da Arquidiocese de Passo Fundo e do MST que, em reuniões ampliadas, debatem sobre a atual situação agrária do país e, ainda, planejam os momentos que farão parte do encontro e definem as equipes de serviço.

Acampamento da Juventude
Jovens de todo do estado e de várias regiões do país participam do Acampamento da Juventude que, desde 2005, faz parte da Romaria e busca debater, refletir e celebrar o tema proposto pelo evento a partir de suas vivências e anseios. O Acampamento, espaço sócio-político-formador que surgiu por iniciativa da própria juventude, acontece, neste ano, nos dias 26 e 27, na área 01 da Fazenda e vai refletir o tema “Juventude construindo projeto popular” e o lema “Prefiro morrer na luta do que morrer de fome” – em memória à Roseli Nunes, militante da luta pela terra morta em um protesto, em 1987 -. Os jovens serão envolvidos em diferentes plenárias, falas e exposições, além de oficinas práticas. Também, participarão, ainda, de uma noite cultural e da Celebração dos Mártires, ponto alto dos momentos de espiritualidade, no qual fazem memória aos irmãos e irmãs que tombaram lutando por justiça, direitos, igualdade, terra, pão, vida em abundância.

Programação
A programação da Romaria será composta por diferentes momentos de debates, integração e espiritualidade, pautando sempre questões ligadas à terra, valorizando de forma especial os pequenos produtores, a agroecologia, o cuidado com a água e com o meio ambiente e a agricultura familiar através da Feira da Reforma Agrária.

26 e 27 de fevereiro: Acampamento da Juventude da Romaria da Terra

28 de fevereiro: Romaria da Terra
7h: Acolhida
9h: Início da caminhada – celebração
12h: Almoço Partilhado
15h30: Mística de Envio dos romeiros

Local:
Assentamento Nossa Senhora Aparecida – área 9 – Fazenda Annoni – RS 324, KM 174 – Pontão – RS

Sammara Garbelotto\ Vanessa Lazzaretti\Fernando Luiz Concatto | PASCOM
Assessoria de Comunicação da Arquidiocese de Passo Fundo

Notícia extraída do site da CNBB Sul 3 (09/01/2017)

Palavra do Arcebispo de Passo Fundo

BEM VINDOS E BEM VINDAS À 40ª ROMARIA DA TERRA
Dom Rodolfo Luís Weber - Arcebispo de Passo Fundo

A Arquidiocese de Passo Fundo acolhe calorosamente todos os romeiros e romeiras para a 40ª Romaria da Terra. A presença de vocês será uma alegria e uma bênção para nós. Muitas pessoas estão envolvidas no processo preparatório para que os objetivos da romaria sejam alcançados e todos se sintam bem.
São quarenta anos de romarias da terra. Já é um longo caminho percorrido. É necessário olhar para trás com um olhar de gratidão para ver o que está germinando, crescendo e também para colher os frutos. Mostrar, visibilizar esta caminhada é importante para toda a sociedade. Quarenta anos de romarias é também uma provocação para olhar criticamente o caminho percorrido. Alegrar-se com os acertos, festejar as vitórias e assumir a responsabilidade dos erros. Uma justa avaliação permite projetar o futuro.
 A romaria como tal é expressão de uma realidade mais ampla, a questão da terra. Toda análise verdadeira do desenvolvimento histórico do mundo destacará a relevância da destinação da terra e seu uso. Visões diferentes de contrapõem, em muitas ocasiões, de forma conflitiva, até violenta. A Doutrina Social da Igreja Católica relaciona diretamente o bem comum com a destinação universal dos bens. “Deus deu a terra a todo gênero humano, para que ela sustente todos os seus membros sem excluir nem privilegiar ninguém. Está aqui a raiz do destino universal dos bens da terra” (nº 171). 
O lema “Terra de Deus, Terra de Irmãos” será um norte. A terra foi dada a todas as criaturas como um dom, um presente para o seu sustento e a geração da vida. Ninguém de nós é capaz de criar do nada um palmo de terra, mas somos capazes para cuidar, plantar e usar a terra. Se pensarmos bem, só conseguimos usar a terra porque existem todas as condições para fazermos isto: o solo, a luz, o calor, a água, as sementes. A nossa parte é corrigir o solo, plantar na época certa, escolher as melhores sementes e fazer as colheitas. Com São Francisco rezamos como ele rezou no seu “Cântico às Criaturas”: “Louvado sejas meu Senhor, por nossa irmã e mãe terra que nos sustenta e governa e produz frutos diversos e coloridas flores e ervas”.
Invocamos as bênçãos de Deus para que ele nos guie e ilumine no processo preparatório da 40ª Romaria da Terra, mas particularmente na sua realização. Que os nossos sentimentos e pensamentos, palavras e ações sejam reflexo da sua vontade e de seu projeto de vida sobre a destinação da terra e seu uso.
Também pedimos a intercessão, da Mãe de Deus e nossa mãe, Nossa Senhora Aparecida, padroeira da Arquidiocese de Passo Fundo, que nos ajude a compreender a vontade de seu Filho Jesus, nosso Senhor e libertador, para fazermos tudo o que Ele nos disser.

40 Anos de Romarias da Terra no RS: Anonni, símbolo de uma conquista

Prezados/as romeiros/as da terra!
É a 40ª vez que deixamos nossos lares, nossas comunidades, nosso chão para partir em Romaria. É o santuário da terra que nos atrai. É Deus Pai Criador que nos envia e nos convoca. Ele deseja que os pequenos e humildes se unam numa só causa e num só caminhar em prol da justiça. 
São 40 anos de Romarias da Terra. Alcançamos a plena maturidade. Somente o que está próximo e íntimo do Projeto de Deus e da vida do seu Povo é que tem vida longa. Depois de 40 anos, continuamos sendo um ponto de união e celebração dos povos da terra rio-grandense. 
Os motivos que dão vida longa à Romaria da Terra: Estar no Plano do Deus libertador; seguir a inspiração divina e a sensibilidade de seu Povo; unir fé militante e causa social; inspirar-se na força do Espírito Santo transformador; trabalhar e refletir as causas pertinentes do Povo de Deus; acreditar firmemente na juventude; resgatar valores e culturas autóctones; acreditar e construir um projeto que seja bom para todos os filhos de Deus; ser coerente com as necessidades do povo da terra e o trabalho da CPT; ter a sensibilidade solidária com os simples e oprimidos do campo e com suas causas; somos parte integrante das lutas sociais e populares.
Vamos voltar à Fazenda Anonni. Ali está um símbolo da luta, da organização e da fé de um Povo que não se intimida diante dos poderes deste mundo. Ali perto está também o símbolo da Encruzilhada Natalino. Ali estão os assentamentos da Reforma Agrária. Ali estão comunidades, cooperativas, produção agroecológica, organização, administrações populares e participativas...
A 40ª Romaria da Terra é um acontecimento alternativo ao Carnaval. Temos muito a ver, ouvir, conhecer, apalpar, celebrar, comemorar... É hora de reinventar o caminho. 
Venha romeiro e romeira da terra! O santuário da terra é a FAZENDA ANONNI, aliás, foi! Agora é o ASSENTAMENTO FAZENDA ANONNI. 
VIVA A 40ª ROMARIA DA TERRA! 
VIVA O ROMEIRO E A ROMEIRA DA TERRA!

Clique na imagem para ampliar o cartaz.

sábado, 17 de dezembro de 2016

Irmão Antônio Cechin: a estrela de Belém, o lunar de Sepé

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“Alguns magos do Oriente chegaram a Jerusalém, e perguntaram: ‘Onde está o recém-nascido rei dos judeus? Nós vimos a sua estrela no Oriente, e viemos para prestar-lhe homenagem’. E a estrela, que tinham visto no Oriente, ia adiante deles, até que parou sobre o lugar onde estava o menino. Ao verem de novo a estrela, os magos ficaram radiantes de alegria. Quando entraram na casa, viram o menino com Maria, sua mãe” (Mateus 2. 2, 9-11).

Neste tempo de celebrações do Natal, muito se recorda a passagem bíblica da chamada estrela de Belém, que foi vista pelos magos no Oriente e que os conduziu ao lugar onde estava o recém-nascido, o Menino Deus, em Belém, na Judeia, conforme relata o Evangelho segundo São Mateus 2. 1-12. E aqui no Sul temos “O Lunar de Sepé”, contada na forma de verso em Contos Gauchescos, por Simões Lopes Neto. No caso da estrela de Belém, ela conduziu os magos no caminho que os levou ao Menino Jesus, considerando os devidos cuidados diante das más intenções do rei Herodes. E o lunar de Sepé foi um sinal no semblante do índio Guarani, Sepé Tiarajú, que conduzia seu povo na luta contra as “armas de Castela / que vinham do mar de além” e em defesa e preservação da terra missioneira. O lunar de Sepé para os Guarani representava um sinal da presença de Deus. Mas, para seus inimigos, como foi com Herodes, no tempo do nascimento de Jesus, era o sinal a perseguir para combater o projeto de Deus. Após a morte de Sepé, o lunar continua resplandecendo, só que agora no céu, como um sinal de luz a guiar o povo Guarani e a quem acredita e luta pela terra sem males.

Então, Sepé foi erguido
Pela mão de Deus-Senhor,
Que lhe marcara na testa
O sinal do seu penhor!
O corpo, ficou na terra...
A alma, subiu em flor!...

E, subindo para as nuvens,
Mandou aos povos benção!
Que mandava o Deus-Senhor
Por meio do seu clarão...
E o lunar na sua testa
Tomou no céu posição...

Nos tempos atuais, onde se manifesta a estrela de Belém e onde brilha o lunar de Sepé? Acredito que são a mesma fonte de luz que não podemos tocar com as mãos nem fixar sobre ela nosso olhar. Uma fonte de luz que está em muitos lugares e brilha no exemplo de vida de muitas pessoas. A estrela de Belém e o lunar de Sepé são vidas humanas que nos mostram o projeto de Deus. Pessoas que são como “o sal da terra” e “a luz do mundo” (cf. Mateus 5. 13-14).
É, pois, assim que hoje posso definir a vida de Irmão Antônio Cechin.
No lugar que Cristo lhe preparou, agora brilha como uma estrela que conduz o mundo pelos caminhos da justiça e da paz, do amor e do bem viver, na luta pela terra sem males. Sua vida é mais que uma trajetória de começo, meio e fim. É uma vida que permanece viva e impulsiona nosso viver. A história que iniciou no nascimento de uma criança, em 17 de junho de 1927, não termina com a morte de um homem aos 89 anos, no dia 16 de novembro de 2016. Irmão Antônio Cechin é uma vida que revigora nossos sonhos, fortalece nossas esperanças e resgata nossa humanidade. Portanto, continua vivo, presente.
Sua vida é uma caminhada de fé, amor e respeito aos índios, catadores, camponeses, sem-terra, desempregados e todos os pobres e a natureza. Irmão Cechin sempre será lembrado como um discípulo de Cristo que viveu o Evangelho como palavra de Deus na língua humana de todas as culturas, como presença e história de Deus na história dos povos.
E, como disse Bertolt Brecht sobre as pessoas que lutam: “Há aqueles que lutam um dia e são bons, há outros que lutam um ano e são melhores, há os que lutam muitos anos e são muito bons. Mas há os que lutam toda a vida e estes são imprescindíveis”. Irmão Antônio Cechin está entre homens e mulheres que são imprescindíveis, não somente pelo bom resultado de sua luta, mas porque sua vida impulsiona outras pessoas a seguirem lutando.
E pela analogia, que aqui procuro fazer, da vida de Antônio Cechin com a estrela de Belém e o lunar de Sepé, quero dizer que este ser humano imprescindível, nosso irmão de fé, nosso companheiro de lutas, é, sem dúvida, um facho de luz que continua a clarear nossos passos, um farol que segue a nos mostrar o caminho. 
Reverendo Pilato Pereira - IEAB
  
Porto Alegre, 16 de dezembro de 2016,

Um mês da morte de Irmão Antônio Cechin

terça-feira, 4 de outubro de 2016

A Igreja e os pequenos agricultores

POR UMA NOVA PRIMAVERA DAS IGREJAS - A Igreja e os pequenos agricultores
por Dom Orlando Dotti
A Mater et Magistra, a encíclica que mais longamente aborda o tema da agricultura, em seu número 144 afirma: “Estamos persuadidos de que, em matéria de agricultura, os principais agentes e promotores do desenvolvimento econômico, da elevação cultural e do progresso social devem ser os diretamente interessados, isto é, os próprios agricultores”. Doutro lado, a Gaudiam et Spes, no número 66, assim se expressa: “Tendo em conta as especiais dificuldades da agricultura em muitas regiões, quer na produção, quer na comercialização dos produtos, é preciso ajudar os agricultores, no aumento e na venda da produção, na introdução das necessárias transformações e inovações e na obtenção de um justo rendimento; para que não continuem a ser, como muitas vezes acontece, cidadãos de segunda categoria”.  
Ambos os textos afirmam a mesma coisa: o agricultor deve ser o protagonista de sua própria ascensão social e de suas organizações. Diante disso, torna-se imperativo perguntar: “Qual o papel da Igreja juntos aos pequenos agricultores?” Vamos tentar responder por partes.
Pelo que consta, os primórdios do cristianismo tiveram sua base nas periferias das grandes cidades. Os moradores do interior, dos “pagos”, também chamados de “pagani”, eram os nãos cristãos: os pagãos. Mais tarde, os papéis se inverteram, e a Igreja teve, prevalentemente, um rosto rural.
Isso também aconteceu no Rio Grande do Sul, de modo especial, desde a imigração no século XIX. As cooperativas de crédito, fundadas pelo Pe. Amstadt vigoraram entre os pequenos agricultores. À sombra das pequenas capelas do interior, surgiram e se consolidaram as organizações agrícolas. Duas entidades de Igreja, a FAG e a Pastoral da Terra, foram decisivas na fundação dos sindicatos, cooperativas, associações e ONGs rurais. 
Dentro desse processo histórico, que papel jogou e joga a Igreja junto às entidades de classe e às associações de produção dos agricultores? 
Esmiuçadamente, tentaremos responder a essa pergunta. A Igreja ofereceu seu espaço físico para as reuniões dos agricultores. Foi nos salões do interior e das sedes paroquiais que a agricultura familiar encontrou sua guarida. Espaço gentilmente oferecido e bem aproveitado pelos agricultores. 
Em segundo lugar, a Igreja ofereceu e oferece pessoas para estarem junto aos agricultores: padres, pastores, agentes de pastoral, técnicos,... A força de credibilidade da Igreja passou aos agricultores. Nesse trabalho todo, nossas igrejas sempre valorizaram mais o processo do que o resultado, evitando o imediatismo e a improvisação.
Mais que tudo isso, a Igreja ofereceu aos agricultores “uma cesta básica” de princípios e de valores, como orientativos em sua ação. O próprio agricultor sempre foi fiel seguidor da Igreja, acatando suas orientações e a iluminação bíblica que vem dela. A fé sempre foi sua lei e norma de vida. A partir disso, não foi difícil dar-lhe a conhecer e a viver a grande verdade de que o agricultor é alguém que goza plenamente da dignidade de pessoa humana e, por isso mesmo, merecedor de todo apreço, estima e atenção. O agricultor é plenamente cidadão como todos os demais, e não rebaixado, como muitos quereriam, a uma segunda categoria. 
Depois disso, a Igreja procurou e procura sensibilizar o agricultor para a solidariedade. “Juntos somos mais”. Todas as organizações sociais têm sua raiz na solidariedade, contra o capitalismo selvagem que privilegia o individualismo. 
A participação é outro princípio muito em voga, hoje. Estende-se à atividade social e política do agricultor. Participar é sinal de compromisso com o bem-comum.
O princípio de subsidiariedade deve ser tomado muito em conta por parte dos agentes de pastorais. Nunca tirar a vez do agricultor. Estar pronto para ajudá-lo, sem nunca substituí-lo. Quando o agricultor não tem nada a dizer, é melhor fazer silêncio do que falar por ele. Creio que um outro papel da Igreja é ser instância crítica junto às organizações rurais. Há sempre a possibilidade de descaminhos na organização social, que se manifestam quando se deixa de lado o bem-comum para atender os interesses pessoais. Diante disso, a voz da Igreja não pode se calar. A profecia não pode morrer. 
As Romarias da Terra, do norte ao sul do país, têm a finalidade de congregar os agricultores, pôr em comum seus problemas, discuti-los e projetar uma vida melhor para todos, enfocando a cada ano novos temas, com novos protagonistas e nova simbologia. 
As Romarias da Terra constituem-se em presença qualificada da Igreja junto à multidão dos agricultores que delas participam e que lutam por mais vida, qualidade de vida e cidadania. 
*Bispo Emérito de Vacaria e Fundador da Comissão Pastoral da Terra. Acompanha desde o inicio a Comissão Pastoral da Terra do RS, hoje como Conselheiro.
(texto escrito para a 36ª. Romaria da Terra do Rio Grande do Sul)

Combate aos Impactos dos Agrotóxico

No último dia 21 de setembro em Encantado - RS aconteceu Audiência Pública do Fórum Gaúcho de Combate aos Impactos dos Agrotóxicos para debater e propor encaminhamentos a respeito do uso abusivo de agrotóxicos e seus efeitos no meio ambiente e saúde dos consumidores de 34 municípios do Vale do Taquari. 

A Comissão Pastoral da Terra - CPT /RS junto com a Articulação De Agroecologia Do Vale Do Taquari -Aavt auxiliaram na organização do encontro se manifestaram em defesa das sementes crioulas e da agroecologia como forma de combater o uso abusivo de agrotóxicos e demostraram preocupação com a contaminação e extermínio das sementes crioulas pelas sementes transgênicas e o pelo uso indiscriminado dos agrotóxicos . "Quem vai garantir o direito dos agricultores de cultivar sementes sadias?"

Além da presença dos agricultores e das agricultoras, e de consumidores, o encontro contou com representantes de órgãos públicos, associações civis, estabelecimentos de saúde, conselhos, universidades e movimentos sociais.

Audiência foi uma reivindicação dos agricultores e agricultoras da região do Vale do Taquari, que vem sofrendo com a morte de abelhas e perdendo a produção em virtude do uso abusivo de agrotóxicos por alguns grandes produtores da região.

Texto enviado por CPT-RS
Fotos: Articulação De Agroecologia Do Vale Do Taquari - Aavt

segunda-feira, 5 de setembro de 2016

Grito dos Excluídos 2016

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NOTA PÚBLICA - Democracia golpeada, Povo em luta!

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"Mas o golpe está só no começo. Esta elite exige um pacote de reformas que serão o verdadeiro golpe aos direitos sociais e trabalhistas. O discurso de Temer, ao assumir a efetividade da presidência, deixou claro a que veio, qual seu projeto, a quem serve". Confira Nota Pública divulgada pela diretoria e coordenação executiva nacional da CPT sobre o golpe contra a democracia no Brasil:



A Diretoria e a Coordenação Executiva Nacional da Comissão Pastoral da Terra, no decorrer dos últimos meses mais de uma vez se manifestou sobre a crise política que o país vive. Hoje com o desfecho final do processo de afastamento da presidenta Dilma volta a se manifestar.

Efetivou-se o golpe e a vergonhosa anulação do povo no seu direito de ser governado por quem ele escolheu. Interrompeu-se a democracia com doses agudas de cinismo e traição. Instaurou-se um regime de exceção não declarado, que faz temer pelo futuro.

A CPT sempre se manifestou criticamente em relação aos últimos governos e seus muitos erros e poucos acertos, e por terem se rendido ao jogo das barganhas escusas entre políticos profissionais e empresários. Com isso não responderam aos anseios e necessidades mais profundas da população, por participação e direitos, como prometeram. Em especial os camponeses e camponesas, os sem-terra e, sobretudo, os povos indígenas, os quilombolas e outras comunidades tradicionais, foram preteridos no balcão dos negócios em que se chafurdou a política.

Mas o desfecho do processo é uma afronta à democracia. O fato de os senadores terem votado por manter os direitos políticos da presidenta afastada, deixa claro sua incoerência. Só queriam seu lugar por razões políticas inconfessas, mas que todos sabem. Foi impedida uma presidenta que não praticou crime de responsabilidade comprovado.

Na verdade o que se viu não foi um julgamento, mas o cumprimento de um rito formal e vazio de sentido democrático. O destino de Dilma Rousseff já havia sido acertado entre perdedores das últimas eleições e ex-governistas traidores. A elite empresarial e financeira que deu suporte ao processo cobrou a fatura ao Congresso Nacional. Incapaz de chegar ao poder pela via eleitoral, assalta-o pelo golpe, num monumental e reincidente desprezo pelo povo, o eleitor. Formalidades cumpridas, não se poderia classificar o ato como golpe, é o que tentam fazer o povo crer.

Mas o golpe está só no começo. Esta elite exige um pacote de reformas que serão o verdadeiro golpe aos direitos sociais e trabalhistas. O discurso de Temer, ao assumir a efetividade da presidência, deixou claro a que veio, qual seu projeto, a quem serve.

São três os principais golpes que afetam diretamente a vida do povo.

Reformas no direito do trabalho, com prevalência dos acordos entre patrão e empregado sobre a legislação trabalhista e favorecimentoda terceirização de atividades, aposentando a Consolidação das Leis do Trabalho (CLT).

Reformas na previdência ampliando a idade mínima para aposentadoria e desvinculando do salário mínimo o reajuste da mesma E o golpe, tanto ou mais grave que os acima citados contra a Constituição, como propõe a PEC 241 de congelar o investimento público por 20 anos, atingindo gastos com educação, saúde e programas sociais.

Ademais, ao sacrificar novamente as populações do campo e das florestas, plantando divisão entre os movimentos camponeses para enfraquecê-los, anuncia-se uma reforma agrária cosmética, para facilitar a entrega de terras a estrangeiros e internacionalizar ainda mais o agronegócio. E para impor as reformas e reprimir resistências, criminalização e violência contra os movimentos e ativistas sociais, como já está acontecendo.

Se são tempos escuros os que vivemos, mais ainda os que virão no futuro próximo. Mas fazemos nossas as candentes palavras do antropólogo Carlos Rodrigues Brandão: “Essa hora é escura, mas é agora o momento de contra o escuro acender as luzes claras de nome esperança, e do chão levantar e se erguer”. Essa é a hora das ruas, praças e estradas do país, da luta e da resistência a se “somar com a ternura, a coragem e o sentido, o valor e o sabor” de quem sabe que a História é o povo quem faz, com festa, mesa partilhada, música e dança, mas também com lágrimas, suor e sangue, quando é preciso. “A hora é agora. Vamos juntos recriar a vida e da vida ... expulsar o medo, transformar o mundo”.

O IV Congresso Nacional que a CPT realizou no ano passado em Rondônia tinha como lema “FAZ ESCURO, MAS EU CANTO”, verso do poeta Thiago de Mello. Hoje, apesar de tudo cantamos, pois acreditamos que é da planície, das lutas do povo do campo da cidade, e não do Planalto que virão as mudanças que o Brasil continua a precisar.

Goiânia, 02 de setembro de 2016,

Semana da Pátria.

A Diretoria e Coordenação Executiva Nacional da Comissão Pastoral da Terra 

Mais Informações:
Cristiane Passos (62) 4008-6406 / 99307-4305
Antônio Canuto – (62) 4008-6412

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

Fórum sobre Meio Ambiente

COMISSÃO PASTORAL DA TERRA REALIZARÁ FORUM SOBRE MEIO AMBIENTE- DIA DE CAMPO

DIA:  16.08.2016 -  HORAS: 09:00 ÀS 16.
LOCAL:  ASSENTAMENTO DE RONDINHA-ESCOLA-  JÓIA
NO GINÁSIO: Exposição: Colheita Venenosa- EMATER
PAUTA:
- MANHÃ: - CACON- Efeitos do veneno na saúde humana
- Volnei Prof. Da UNIJUI- A Saúde na Terra,
- TARDE:     - TENENTE Fernando: Consequências do uso do veneno;
 EMATER: As alternativas- VOLNEI: Cuidado com a terra

Na ESCOLA: Experiências de Batata doce e variedades de mandioca.
VISITAS de outras escolas......
Coordenação:  Adilio Perin e Ir. Norma Knob

sexta-feira, 29 de julho de 2016

JORNADA DE INTEGRAÇÃO CAMPO E CIDADE: ECOS DE UMA ECOLOGIA INTEGRAL

A articulação das Pastorais Sociais, da qual a Comissão pastoral da Terra faz parte, juntamente com a Cáritas Arquidiocesana, Feira Ecológica, Coonalter e Pastoral da Juventude Rural promoveram a 1ª Jornada de Integração Campo e Cidade, no dia 16 de julho em Passo Fundo. O principal objetivo é fortalecer e valorizar os agricultores e agricultoras agroecológicos, articulando saberes, sabores e práticas. As bancas temáticas e atividades deixaram marcas e compromissos. 
Feira Ecológica
Já é tradicional em Passo Fundo a Feira Ecológica. Pequenos agricultores e agricultoras da região, organizados em pequenos grupos, produzindo de forma agroecológica, oferecem a comunidade passo-fundense alimentos orgânicos e saudáveis. Segundo a Professora Dr. Claudia Petry, da Universidade de Passo Fundo, que esteve participando da atividade: “somos o que comemos”. A relação entre a saúde e a alimentação é intrínseca e determinante para nossas vidas. 
Para Maristela, uma das agricultoras feirantes, o que garante a produção e a vitalidade da feira é a relação que se estabeleceu entre os produtores e os consumidores. Segundo ela, existe “um cuidado mútuo na medida em que se produz pensando no consumidor e se consome pensando no produtor”. Quem ganha com os alimentos orgânicos não é somente o ser humano, mas toda a natureza, que vê seus ciclos respeitados. Um dos problemas que os agricultores ecológicos citam é com relação às políticas públicas para a agroecologia, pois existe um abismo entre o potencial financeiro investido no agronegócio e o investimento na agroecologia.
Economia Solidária e Alimentação Nutritiva 
A Cáritas Arquidiocesana enriqueceu a Jornada com a presença de grupos de economia solidária. “Eco”, do grego oikos, significa “casa” e “nomia” do grego nomos, significa norma. O termo “economia” carrega em seu significado a organização da casa comum. A economia solidária é uma alternativa frente ao modelo neoliberal de acúmulo e concentração de riquezas. É organizada em redes e grupos que produzem e comercializam numa lógica de partilha, responsabilidade ambiental e social. 
Pensar uma ecologia integral é agregar toda a caminhada já construída pelos grupos da economia solidária. Diretamente ligada a agroecologia, a esta forma de economia é vivida por grupos do campo e da cidade. A Cáritas dispõe de informações e pode ajudar a população a ter acesso com mais intensidade aos produtos e aos grupos solidários.
Além disso, a banca, também proporcionou diálogos sobre alimentação nutritiva e cuidados alternativos com a saúde. A Pastoral da Saúde esteve presente com indicações de chás e remédios caseiros, de modo especial na linha preventiva. Para os agentes da Pastoral da Sáude, tão importante quanto à cura de doenças é sua prevenção. Por isso, a importância da medicina alternativa e da alimentação nutritiva e saudável. 

SEMENTES CRIOULAS 
O cuidado com a Terra e a produção de alimentos saudáveis passa também pelo resgate e preservação das sementes crioulas. 
A Equipe da Comissão Pastoral da Terra do Rio Grande do Sul – CPT, esteve presente na Jornada acompanhada de agricultores e agricultoras de Santa Cruz do Sul integrantes do Banco de Sementes Crioulas daquela Diocese, e que apresentaram a experiência aos participantes da Jornada. Coordenador do Banco, o técnico em agropecuária Maurício Queiroz, 37 anos, que também integra a equipe de coordenação da CPT – RS, respondeu algumas perguntas para a página da Ação Social da Igreja.
-Maurício, qual é a importância de se falar em sementes crioulas atualmente?
Eu acho fundamental, por que com a repercussão das sementes crioulas temos a possibilidade de produzirmos alimentos diversificados e ecológicos. Através delas podemos chamar atenção para a importância da agricultura de base ecológica que é desenvolvida em harmonia com a natureza. Ao preservar as sementes crioulas e produzir seguindo os princípios da agroecologia, estamos produzindo alimentos sem destruir a casa comum, na qual nossa espécie é apenas um morador. Existe uma grande biodiversidade a ser preservada e, dentro dela, a agrobiodiversidade das sementes crioulas. 
-O que são sementes crioulas?
Sementes crioulas, também conhecidas por sementes comuns, tradicionais ou caseiras, são as sementes tradicionalmente produzidas pelos agricultores e agricultoras. Com elas evoluíram nestes milhares de anos de existência da agricultura, razão pela qual são chamadas de Patrimônio dos Povos. Eles são a base da produção dos nossos alimentos. Não da para falar de sementes crioulas sem falar de agricultor, agricultora, campesino, povos indígenas. Há uma simbiose entre eles e as sementes. Junto com as sementes crioulas também estão mudas de plantas, raças de animais crioulos. Todos eles precisam ser preservados. 
-Em que elas se diferenciam das sementes híbridas e transgênicas?
A principal diferença diz respeito ao controle. As crioulas estão nas mãos dos agricultores que com ele evoluíram naturalmente sem qualquer modificação genética e laboratório, garantindo-lhes autonomia e segurança alimentar. Já as híbridas têm como donos as grandes multinacionais. São desenvolvidas em laboratório e casadas ao pacote de agroquímicos. É bom lembrar que para produzir híbridos são necessárias sementes crioulas, que são a base. 
¬-É possível coadunar sementes crioulas com agronegócio? Ou as duas são excludentes entre si?
Não combinam; são modelos completamente antagônicos. As sementes crioulas combinam com agroecologia, com diversidade, economia local, produção de alimentos, com partilha da terra, com alimentação saudável. Aliás, comida de verdade só é possível com sementes de verdade, que são as crioulas. 
O que é um banco de sementes crioulas?
É uma estratégia encontrada por comunidades de agricultores e agricultoras para manter sementes crioulas na produção de seus alimentos. As propriedades dos agricultores sempre foram “bancos de sementes crioulas” e isso precisa voltar a acontecer. Dai se estimula que as famílias organizem num espaço comum para manter as sementes. Isto é um Banco de Sementes Crioulas.

MANIFESTO CONTRA OS ALIMENTOS TRANSGÊNICOS E A FAVOR DA SEGURANÇA ALIMENTAR

O recente relatório a respeito dos transgênicos efusivamente propagandeado em horário nobre pela grande mídia teve como óbvio interesse de tranquilizar os consumidores. Com o objetivo de dar uma versão pretensamente científica, por todos os cantos do planeta ouviu-se a afirmação de que “alimentos transgênicos não fazem mal à saúde”. Porém nós, entidades, agricultores e consumidores, que defendem a alimentação saudável, queremos dizer à sociedade que não concordamos com essa afirmação, pois sabemos que existem vários estudos que, DE FORMA CIENTÍFICA, apontam para os riscos da ingestão dos alimentos transgênicos à saúde.
O tal relatório não fez nenhuma pesquisa, mas uma junção de dados e concluiu tendenciosamente que não haviam provas de que os transgênicos fazem mal. Porém, escondeu-se o fato de que não provar o malefício não significa provar que é seguro. Continuamos a entender que o princípio da precaução deve reger toda a nova tecnologia criada pelo homem, especialmente no que diz respeito a alimentação humana e que as pesquisas desse caráter normalmente são superficiais.
Será que os autores do relatório analisaram os estudos que indicam os efeitos nocivos dos transgênicos a saúde? Ou, como já ocorreu outras vezes, esses estudos foram ignorados? No livro “Lavouras Transgênicas: riscos e incertezas” estão descritos mais de 750 estudos que são sumariamente desprezados pelos órgãos reguladores. A consistente pesquisa francesa de Seralini de 2014 observou relação entre o consumo de transgênicos e o aparecimento de TUMORES MALÍGNOS em cobaias. Por que isso não está sendo divulgado?
A divulgação bombástica do relatório, nesse momento, não tem relação com novas descobertas, mas, possivelmente com os acontecimentos que arranharam a imagem dos transgênicos nos últimos tempos: a mudança de posição de pesquisadores, como o canadense Thierry Vrain que, de fervoroso cientista a favor tornou-se um combatente dos transgênicos indo a público expor as mentiras da propaganda da indústria de biotecnologia; o manifesto dos 815 cientistas de 82 países pedindo a suspensão dos transgênicos em todo o mundo; o despertar de consciência da sociedade de vários países exigindo rótulos nos alimentos transgênicos; a guerra comercial contra a postura da Europa de querer comer alimentos seguros e não importar transgênicos; entre outros.
Por tudo isso, as Articulações de Agroecologia do Vale do Taquari e do Vale do Rio Pardo e os participantes do 16º Encontro Diocesano de Sementes Crioulas vêm a público manifestar que não aceitamos o relatório e a propaganda pró-transgênico e propomos que a sociedade tampouco aceite. Repudiamos a forma com que a CTNBio guiada por interesses econômicos, avalia e libera essas sementes. Ao invés disso, queremos mais pesquisa séria e menos liberação comercial dessa tecnologia pois ninguém quer ser cobaia dos alimentos da engenharia genética.

Arvorezinha, 27 de julho de 2016.





sexta-feira, 20 de maio de 2016

9° Encontro de Sementes Crioulas de Arroio do Meio avalia alimentação

O Município de Arroio do Meio realiza desde 2008 seu encontro anual de valorização das sementes crioulas. Todos aqueles que buscam resgatar e preservar sementes, tirando proveito de suas potencialidades, são convidados a participar. Para participar do encontro, os interessados devem colaborar trazendo sementes e mudas crioulas para trocar, algum alimento saudável para a confraternização, ou receitas e experiências para partilhar. 
O 9º Encontro de Sementes Crioulas de Arroio do Meio será realizado no dia 25 de maio de 2016, quarta-feira, véspera do feriado de Corpus Christi, onde os participantes serão recepcionados a partir das 13h. O local é o mesmo das edições anteriores: o Salão Paroquial da Comunidade Católica de Arroio do Meio. 
“O Valor Nutritivo dos Alimentos Orgânicos” será o tema deste ano e contará com palestra da nutricionista Joice Johann Bordignon, da Secretaria Municipal da Educação. Também estarão presentes duas jovens da Alemanha que farão um depoimento sobre o consumo de alimentos orgânicos naquele país.
A promoção é das Comunidades Católica e Evangélica de Confissão Luterana, Sindicato dos Trabalhadores Rurais, Secretaria Municipal da Agricultura, Grupo dos Agricultores Ecologistas de Forqueta, Comissão Pastoral da Terra, Associação Ecobé e Emater. O evento conta com o apoio da Secretaria Municipal da Educação e da Articulação de Agroecologia do Vale do Taquari e faz parte das comemorações da Semana Brasileira do Alimento Orgânico.

segunda-feira, 4 de abril de 2016

Encontro Estadual de Povos e Comunidades Tradicionais

IV ENCONTRO DOS POVOS E COMUNIDADES TRADICIONAIS
“Na diversidade a solidariedade transformadora”
Os povos e comunidades tradicionais têm sido permanentemente espoliados de seus direitos de viver na e da terra, em paz e harmonia. Foram e continuam sendo pressionados e expulsos da terra pelo avanço do agronegócio e dos grandes projetos de mineração, hidrelétricas rodovias, hidrovias e outros tantos projetos do grande capital.
E é nesse contexto que a Comissão Pastoral da Terra promove o Encontro Estadual de Povos e Comunidades Tradicionais que tem como objetivo proporcionar encontro e troca de experiências entre Comunidades Tradicionais do Rio Grande do Sul: Indígenas, Quilombolas, Ribeirinhos e Pescadores visando fortalecer a luta e organização conjunta para fazer avançar a construção de um novo projeto para o país, onde sejam respeitadas e valorizadas as diversidades culturais, as sabedorias seculares, as formas de viver e conviver com a natureza e todas as formas de vida, com justiça social e dignidade.
O Encontro de Povos e Comunidades Tradicionais, que está em sua IV edição, é um espaço de estímulo e reforço do protagonismo dos povos e comunidades participantes, um momento de formação e de divulgação de suas vitórias no combate das injustiças.

DATA: 28 de MAIO de 2016
LOCAL: QUILOMBO RINCÃO DOS NEGROS, Rio Pardo/ RS

TROCA DE EXPERIÊNCIAS: cada grupo, comunidade, quilombo, aldeia indígena, grupo de pescadores, que participará do encontro é convidado a trazer painel com os dados da realidade do seu grupo/povo para o momento de partilha.

ALIMENTAÇÃO: àqueles que têm possibilidade são convidados a levarem alimentos para partilhar. A comunidade do Quilombo organizará as refeições que prevê contribuição espontânea dos participantes.

CULTURA: haverá momento para apresentações culturais, música, dança.

PROGRAMAÇÃO 
8h30min - Acolhida
9h - Abertura - mística e espiritualidade, apresentação dos participantes.
10h - VER – partilha da realidade
11h30min - JULGAR – Debates e questionamentos
12h30 - Intervalo almoço
13h - Manifestações culturais, música e dança
14h - AGIR – A partir das realidades ouvidas, como nos organizar?
15h - Encaminhamentos concretos/trabalhos em grupos.
16h - Avaliar/Celebrar
16h30min – Encerramento

É importante que comuniquem com antecedência quem participará representando o grupo/povo, quilombo, aldeia, comunidade.

INSCRIÇÕES E INFORMAÇÕES COMPLEMENTARES contato via telefone ou e-mail: 
- Comissão Pastoral da Terra RS com Simonne (54) 9912 5146 ou cptdors@gmail.com
- Equipe CPT Santa Cruz do Sul
com Oldi Helena Jantsch (51) 9146 6134 
com Maurício Queiroz  (51)969 93640 ou penaterra@ibest.com.br

São nossos apoiadores nesse IV Encontro:
Conselho Indigenista Missionário – CIMI Sul
Quilombo Rincão dos Negros
ASDISC Santa Cruz do Sul
Cáritas RS

Acolhemos a Todas e Todos com Carinho! 
Sejam Vindas e Bem Vindos!

Nosso Abraço Fraterno
COORDENAÇÃO DA COMISSÃO PASTORAL DA TERRA RS

terça-feira, 22 de março de 2016

Encontro Estadual de Povos e Comunidades Tradicionais

DATA: Sábado, 9 de abril às 8:30 - 16:30
NOVA DATA: 28 de MAIO de 2016
LOCAL: Quilombo Rincão dos Negros - Rio Pardo RS

Encontro e troca de experiências entre Comunidades Tradicionais do Rio Grande do Sul, Indígenas, Quilombolas, Ribeirinhos e Pescadores visando fortalecer a luta e organização conjunta.

"É importante fazer inscrição prévia."

INFORMAÇÕES e INSCRIÇÕES: 
Comissão Pastoral da Terra RS 
cptdors@gmail.com ou (54) 9912 5146 
Equipe CPT Região Santa Cruz Do Sul
Maurício Queiroz penaterra@ibest.com.br (51) 96993640 
Oldi Jantsch (51) 91466134 

TROCA DE EXPERIÊNCIAS: cada grupo, comunidade, quilombo, aldeia indígena, grupo de pescadores, que participará do encontro é convidado a trazer painel com os dados da realidade do seu grupo/povo para o momento de partilha.

ALIMENTAÇÃO: àqueles que têm possibilidade são convidados a levarem alimentos para partilhar. A comunidade do Quilombo organizará as refeições que prevê contribuição espontânea dos participantes.

CULTURA: haverá momento para apresentações culturais, música, dança.